#AYearAThon Janeiro: livros solo


Preciso começar esse texto dizendo que ler livros solo não é bem um desafio pra mim. Foram-se os tempos, na verdade, em que eu conseguia me envolver com séries. As últimas que eu tentei começar (Divergente e Estilhaça-me) eram bem legais e tudo, mas nunca consegui passar do primeiro livro. Talvez a última que li inteira tenha sido Jogos Vorazes.

Mas eis o que é um pouco difícil pra mim: manter o ritmo de leitura. Ou eu leio um livro muito bom e passo meses enrolando próximas leituras não-tão-legais (aconteceu ano passado depois de ler Mentirosos), ou eu leio algo que se arrasta e perco a vontade. Então uma das minhas resoluções não-oficiais de ano novo é ler melhor. O que significa duas coisas: não perder o ritmo e não perder o 50 book challenge. Ah, e ler coisas mais variadas.

Já estou fazendo o Rory Gilmore Book Project aqui e isso já me ajuda a sair um pouco da zona de conforto nos hábitos de leitura. Mas aí surgiu esse post no NUPE sobre maratonas literárias e eu pensei: por que não? Escolhi a #ayearathon porque ela é feita pra durar o ano inteiro e achei que esse comprometimento me ajudaria mais a alcançar os 50 livros. Fora que é uma semana por mês de leitura intensiva e cada semana tem um prompt:

 

De 05/01 a 11/01/15 – Livros solo
De 02/02 a 08/02/15 – Diversidade
De 02/03 a 08/03/15 – Livros estacionados na estante
De 06/04 a 12/04/15 – Fantasia e ficção científica
De 04/05 a 10/05/15 – Releituras
De 01/06 a 07/06/15 – Terminar séries
De 06/07 a 12/07/15 – Agatha Christie e/ou mistério
De 03/08 a 09/08/15 – Adaptações
De 07/09 a 13/09/15 – Livros banidos
De 05/10 a 11/10/15 – LGBT
De 02/11 a 08/11/15 – Mitologia
De 07/12 a 13/12/15 – Graphic novels, quadrinhos, mangás, livros com imagens

Então vamos começar: eu queria ler 3 livros nessa semana, sendo dois que eu tinha começado (ainda que com poucas páginas lidas) e um novo que eu ainda não sabia qual. Spoiler: não consegui chegar até aí, mas aidna assim li bastante. Terminei um dos livros, li outro inteiro e virei mais umas 100 páginas de outro começado, que pretendo terminar logo. E cumpri o objetivo de variar as leituras. Sem mais delongas, minhas leituras do #ayearathon:

Yes Please – Amy Poehler

Eu queria amar esse livro. Queria mesmo. Amy Poehler é a rainha do meu coração e o trabalho dela é incrível. Mas porém contudo todavia não foi bem o que aconteceu. Eu tinha lido as vinte primeiras páginas lá em novembro e deixado de lado por estar meio ocupada e sem tempo de ler. Não tinha pego o ritmo do livro e não estava engatando. Achei que deixar pra ler depois resolveria o problema, mas não foi bem por aí.

Nessa autobiografia, a Amy conta seu histórico como atriz e dá alguns detalhes de seus trabalhos, como a jornada até o Saturday Night Live e como foi trabalhar com os colegas de Parks&Recreation (pausa pra dizer que não acredito que essa série vai terminar. Não me deixe, Pawnee, por favor) no papel de Leslie Knope. Ela também explica mais sobre as apresentações de comédia que fazia em teatros independentes antes da fama.

A razão de eu não ter gostado muito do livro foi simplesmente porque ele me pareceu meio sem sal. Não me leve a mal, ainda tem suas partes engraçadas, mas não é nível-Amy-Poehler de engraçado. E o jeito como a narrativa foi se desenvolvendo, com idas e vindas no tempo, acabou me fazendo perder o ritmo de leitura. O que eu tinha achado, meses atrás, que acontecia só no começo do livro, na verdade é ele por inteiro. Mas não deixou de ter seus momentos e gostei muito de aprender sobre as diferentes fases da vida dela.

No final, acabei dando 3 estrelas no goodreads. Quer dizer, é a Amy Poehler, e não há muito o que possa dar errado em algo da Amy Poehler.

To All the Boys I’ve Loved Before – Jenny Han

Esse eu escolhi por duas razões: primeiro, se encaixa no nosso tema. Em janeiro, aqui na Pólen, estamos falando de corresponder e a protagonista, Laura Jean, escreve cartas a antigos amores quando quer superá-los. Em segundo lugar, esse livro em foi recomendado por alguém em meio a uma conversa literária no whatsapp e um pequeno fato sobre mim é que minha TBR list só aumenta por causa de amigxs assim.

Bom, a Laura Jean escreve cartas aos tais amores. O problema é que um dia ela descobre que as cartas, que ficavam escondidas em uma caixa de chapéus em seu quarto, forma enviadas sem que ela soubesse. O problema é que um desses caras é o ex-namorado da irmã, por quem ela havia sido apaixonada. Quando ele recebe a carta, tudo fica estranho entre os dois e ela percebe que ainda podem haver sentimentos ali. Para evitar que a amizade dos dois fique estranha, Laura Jean faz um plano. Ela se junta com um outro destinatário de carta – sua paixonite da sétima série: Peter – e forma um casal falso.  Peter entra nessa porque quer causar ciúmes na ex-namorada, Genevieve.

Mas como toda boa história em que os personagens fingem uma relação para mostrar algo, as coisas não ficam bem assim. Peter e Laura Jean acabam se envolvendo mais do que gostariam e a relação entre ela e Josh (o ex-namorado da irmã) também não fica tão normal quanto ela esperava. Laura Jean, além de todas as mudanças nas suas atividades e em seu círculo social, também tem que lidar com a irmã, que sempre cuidou dela, morando na Escócia.

Esse livro é ridiculamente divertido. Se alguém juntasse meus plots favoritos de filmes adolescentes dos anos 90/2000, formaria To All the Boys I’ve Loved Before. É seu típico livro da beira da piscina nas férias, da fila do ônibus (ainda que eu quase tenha perdido um porque não conseguia tirar meu olhos da tela do kobo), do horário de almoço. É engraçado e fofo e fala bem das relações familiares, principalmente entre irmãs.

A única coisa que não gostei nele foi a falta de outros personagens. São quatro, se não me engano, os destinatários das cartas de Laura Jean, mas só Peter e Josh aparecem com frequência. Sem contar que a suposta melhor amiga dela, Chris (que, coincidentemente, é prima de Genevieve), faz falta na história. Senti a necessidade de personagens secundários não ficarem tanto como plano de fundo, em especial os que faziam parte dos círculos de Peter e Laura, sendo afetados pelo relacionamento estranho do garoto popular com a menina certinha (não disse que eram meus plots favoritos de filmes adolescentes?).

Menção honrosa: Barba ensopada de sangue – Daniel Galera

Ok, ok, eu ainda não terminei. Mas tenho uma desculpa: não terminei porque não quero que ele acabe. Comprei  em dezembro, quando fiz meu haul da Festa do Livro e estou lendo praticamente desde então. Como disse lá, tem sido meu companheiro fiel nas piscinas pra combater o verão SP 40 graus, tanto que as beiradas já estão até amassadas, as orelhas marcadas e a espinha quebrada. E que me perdoem os puristas, mas livros marcados são livros mais amados.

Estive acompanhando os dramas e amores do novo morador de Garopaba enquanto desejava estar lá, na praia catarinense ao invés de uma cadeira de plástico sob o chão de pedra quente demais. O livro é tão contagiante que me faz até querer ler devagar, saborear melhor, curtir cada detalhe.

Saldo final do #ayearathon de janeiro:

  • Dois livros (e meio)
  • Três gêneros diferentes
  • 729 páginas

 

P.S.: Depois de terminar as leituras, descobri que vai existir uma sequência pra To All the Boys I’ve Loved Before. Eu digo que conta como livro solo mesmo assim, porque eu não sabia disso quando escolhi 😉

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Sobre Lorena Pimentel

Paulistana que preferia ter mar, entusiasta do entusiasmo, Grifinória com medo de cachorros, defensora de orelhas pra marcar livros, não gosta de açúcar, colecionadora de instagrams com fotos de bebês, oversharer no twitter (@lorebpv) e uma eterna vontade de ter nascido Rory Gilmore.

  • olha, doeu meu coração escrever isso também, acredite. não li o da lena dunham, mas achei yes please menos legal que o da mindy kaling e olha que mal sei anda sobre a mindy kaling.

    eu já queria ler algo da jenny han desde que ela apareceu no meu who to follow, mas enfim, super valeu a pena. é um livro totalmente adorável e tem ship e breguices fofas de fanfiction, ou seja, é bom só por isso já;

  • Ai Lorena, você fez meu coração doer com esse comentário sobre o livro da Amy Poehler hahaha 🙁 não li ainda, mas tenho expectativas perigosamente altas, e agora já fiquei sabendo que ele não é bem como eu imaginei. Pensei que fosse algo como o da Lena Dunham, com crônicas da vida e sabedorias pros jovens, e não ~só~ uma autobiografia. Agora tô com medo de odiar, como faz? Hahaha!

    Mas o lado bom é que fiquei super animada pra ler esse da Jenny Han! Ele SEMPRE aparece como sugestão na Amazon, mas como nunca tinha ouvido falar acabou que nem levei a sério. Adorei o plot e amo esse mote de comédias românticas, previsíveis e divertidas. Tô precisando shippar muito, sabe?
    Enfim, boa sorte com a maratona! Eu até pensei em participar, mas essa primeira semana de janeiro foi bem corrida pra mim e acabou ficando pra lá. Pra variar.
    beijos!