Autor (in)dependente


Então há seis anos (caramba, já faz tudo isso?) eu decidi que era hora de publicar um livro. Resolvi que estava de saco cheio de esperar, e que queria começar logo a minha carreira, sendo da maneira que fosse. Foi aí que me tornei uma autora independente.

Na teoria, ser autor independente significa que você é quem controla tudo: você escolhe a capa, os profissionais que estarão por trás do seu livro, você controla a tiragem e as vendas. Você, você, você – saí o nome independente, porque você tem que se virar. Na prática, não é bem assim.

Na prática, de independente o autor não tem nada. Dependemos de um milhão de coisas: da boa vontade dos profissionais, muitos dos quais vão enfiar a faca nos serviços e te deixar por último na fila de espera, já que você é um zé ninguém; das livrarias, que não negociam com o autor e que, se toparem vender seu livro, vão cobrar uma fortuna em porcentagem de venda; dos leitores, que talvez torçam o nariz pra você por ser autor brasileiro e sem editora; mas principalmente, somos dependentes do dinheiro.

A gente não pensa nisso quando pega aquele livrinho na promoção do Submarino por 15,00 mas a cadeia de serviços que inclui a produção de um livro é bastante cara. Parece desnecessário falar, mas tudo ali custa dinheiro. Da imagem que você vê na capa, até o registro do livro na Biblioteca Nacional, tudo tem um custo, e não é dos mais baratos. Arcar com as contas de uma publicação independente envolve muito mais do que ter o dinheiro pra gráfica – é preciso investir num projeto decente antes disso, um que atraia o público também. E de novo, estamos dependentes; precisamos de bons profissionais, precisamos de bons materiais, precisamos de gente que entenda do mercado, das nossas necessidades, das nossas limitações.

Não me arrependo de ter dado o primeiro passo, seis anos atrás. Acho que sem ele não teria chegado a lugar nenhum; chame de destino, se quiser. Mas olhando pelo lado prático, às vezes penso que deveria ter esperado. Esperado mais maturidade, mais contatos, ideias melhores. Devia saber melhor onde estava pisando, o que estava fazendo, pra onde estava indo. Devia não ter tido tanta pressa. Publicar independente pode ser um caminho, mas não é dos melhores nem dos mais fáceis, e a gente precisa estar ciente disso. Eu não estava. Não era independência ou morte – era independência ou esperar mais um pouquinho. Mesmo Dom Pedro demorou um bocado antes de dar o grito final. Por que eu deveria me apressar?

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