Assistir Gilmore Girls pela primeira vez ― Semana Gilmore


Texto: Larissa Siriane e Vick Amorim

 

Por que nunca vi?

Vick: Quando Gilmore Girls passou pela primeira vez eu definitivamente não era uma pessoa que “assistia a séries”. Acho que a única série do começo dos anos 2000 que eu posso falar que eu realmente via era The OC (afinal, que série!). Mas eu simplesmente achava que não tinha o comprometimento necessário pra me dedicar a isso (sempre fui assim, se fosse fazer uma coisa, era melhor fazer direito ou nem começar).

Além do mais, era uma época em que a internet não era exatamente a coisa mais rápida do universo, então eu nem cogitava a ideia de baixar uma série. E como eu já tinha perdido o começo da série, não ia começar a ver da metade ou algo assim. Algumas lembranças que eu tenho da época são dos anúncios no SBT e de sempre pensar que a atriz que fazia a Rory era muito linda pra uma adolescente normal, mas sei lá, acho que nunca pensei muito em Gilmore Girls até pouco tempo atrás, quando me vi cercada de amigas obcecadas pela história.

Larissa: Pra mim, foi mais ou menos a mesma coisa. A questão do acesso definitivamente era um ponto contra Gilmore Girls, no meu caso. O único meio de assistir para quem ― como eu à época ― não tinha TV a cabo, era através da exibição inconstante do SBT, que além de nunca exibir os episódios em ordem, não tinha lá dias e horários fixos para algumas séries.

Quando eu enfim descobri a beleza de sites para baixar episódios em RMVB legendado (me sinto velha dizendo isso, confesso), Gilmore Girls não estava nem no meu top 10 de prioridades. Isso porque dos poucos amigos que eu tinha que viam séries, nenhum deles comentava a respeito. Acho que só fui lembrar de fato que a série existia em algum momento nos últimos dois anos, quando vi algumas pessoas comentando aqui e ali e o revival foi anunciado. Foi como se os fãs da série surgissem da terra, e descobri que, na verdade, muita gente amava e conhecia.

 

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Expectativas

Larissa: Meu primeiro contato com a série foi nas madrugadas do SBT. Eu sofro de insônia e, quando era mais nova, as séries que passavam durante a madrugada eram a minha salvação.

Tudo o que eu sabia era que se tratava de uma série sobre mãe e filha e que não era “meu tipo de série”; sempre preferi as de fantasia às mais familiares. E por isso, apesar de ter visto alguns episódios soltos, nunca quis ver mais a fundo.

Mas aí parece que do nada todos os meus amigos assistiram e amaram. E quando veio a notícia do revival, o hype ficou grande e eu pensei, “por que não?”.

Eu honestamente não esperava gostar muito. Achei que poderia ser interessante, mas não que eu fosse me apegar. Eu queria descobrir por que as pessoas gostavam tanto, mas não esperava me interessar a ponto de querer ver mais de um episódio por dia. Ledo engano! Mal comecei a ver e descobri que não era nada daquilo que eu imaginava.

Vick: Eu também decidi assistir quando: 1) anunciaram o revival e 2) a Netflix colocou todas as temporadas no catálogo. Parecia que o mundo inteiro estava falando sobre Gilmore Girls e amando muito isso, e eu não podia ficar de fora. E eu também comecei assistindo sem botar muita fé, mas acabei completamente envolvida depois de apenas alguns episódios. Eu até achava que seria interessante de um jeito série teen, mas não foi nada assim.

Acredito que as minhas expectativas eram de que fosse uma série engraçadinha com uns dramas familiares e uns romances que te prendem à história, mas não perdi muito tempo pensando nos motivos que faziam com que a série fosse tão amada por tantas pessoas. Alguns deles eu descobri logo de cara: mulheres fortes e personagens complexos, cheios de qualidades e defeitos. O que mais eu poderia querer?

 

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Primeiras Impressões

Larissa: Entrei nessa de Gilmore Girls esperando uma série sobre mãe e filha, né? Pois é, foi bem o que consegui. Mas não era SÓ isso.

Logo no primeiro episódio, já fui apresentada a tantos personagens e tantas relações familiares que minha cabeça girou. Mas ao contrário do que imaginei, não foi difícil entender quem era quem, ou mesmo me acostumar ao ritmo da série. Sim, tem muita gente. E sim, tudo acontece em ritmo frenético ― os diálogos, meu deus, os diálogos!!! ―, mas basta um episódio pra você se acostumar. Antes dos primeiros dez episódios da primeira temporada eu já estava perdidamente apaixonada por uns (Sookie!) e odiando eternamente outros (Emily).

Além disso, tem a questão da época. Gilmore Girls estreou há quase vinte anos, e é claro que algumas coisas ficaram datadas. De pagers e celulares de flip, passando por computadores imensos que quase não são utilizados e aquela terrível moda do início dos anos 2000, assistir a GG foi viajar pra minha infância e pré-adolescência. E eu me identifiquei, ao mesmo tempo em que ria da realidade vivida por elas. Mas nada disso interfere na experiência de curtir GG. No máximo, acrescenta ― Rory e Lorelai poderiam ter uma relação tão forte nos dias de hoje? Os relacionamentos funcionariam da mesma forma se fosse em 2016? Não sei.

Vick: O ritmo da série é mesmo insano, mas isso só faz com que ela seja mais característica. E as referências à cultura pop, o que são aquelas referências?!

Eu preciso confessar que foram poucos os personagens que eu realmente odiei (cof Dean cof Taylor cof). A Emily mesmo é uma das que eu comecei jurando que ia odiar, mas ela se transformou numa das minhas preferidas. Os comentários irônicos e a forma com que mesmo as piores coisas que ela fazia eram na verdade o que ela achava que seria para o bem da família não permitiram que eu não gostasse dela. E sim, ela é manipuladora, mas vamos combinar que todos os Gilmore são (incluindo a Lor e a Rory).

E sim, assistir a Gilmore Girls é total como fazer uma viagem no tempo, o que só faz com que fique ainda mais divertido. Não sei se seria diferente nos dias de hoje (acho que o revival pode nos dar uma pista), mas é fantástico ver como tudo funciona tão perfeitamente que eu nem me perguntei como as coisas poderiam ter sido.

 

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Minha opinião depois de ver

Vick: A minha ideia, quando decidi escrever esse texto pra Pólen, era já ter terminado de assistir tudo, mas a vida estragou meus planos e eu ainda estou na metade da última temporada (perdi essa aposta comigo mesma por só sete episódios). Enfim, após ter visto Gilmore Girls (quase) toda, algumas coisas acabaram sendo muito diferentes do que eu esperava que fossem.

Primeiramente, como uma shipper incurável que sou, sempre achei que o Jess teria um papel maior do que ele realmente teve. Sei lá, por ele ser o namorado da Rory preferido de praticamente todo mundo, imaginei que fosse um namoro mais longo do que ele foi, especialmente quando comparamos ao tempo com que ela ficou com o Dean ou o Logan. Ainda no momento romance, eu não acredito até agora que eles demoraram TANTO TEMPO pra fazer Lorelai + Luke acontecer. Quero dizer, todo mundo sabia que eles iam se pegar desde o primeiro episódio, mas sabe, durante mais da metade da série eles não tinham dado nem um beijinho sequer!

Diferente da maioria das pessoas, eu gostei do arco da April e eu acho que foi bom pra série. Quero dizer, todo bom OTP precisa passar por suas adversidades, e por mais que o Luke não tenha lidado com a novidade na vida dele de uma forma bacana, ou até mesmo crível (quero dizer, o Luke da minha cabeça não teria agido daquele jeito), eu realmente gostei de eles terem colocado ela na trama, e acho até que isso enriqueceu o personagem do Luke.

Outra coisa que super quebrou as minhas expectativas em relação à série, mas dessa vez de uma forma boa, foi a Paris. Pelo jeito que eu ouvia falar dela, ela parecia ser simplesmente insuportável, mas no fim ela acabou se tornando a minha preferida. Ela tem toda a vibe podem feminino que eu adoro, toda a competitividade insana e é extremamente engraçada. Acho ela uma personagem que por mais exagerada que seja, faz com que a gente se identifique muito. Afinal, quem nunca teve um momento Paris Geller que atire a primeira pedra.

Encerrando com as nossas Gilmore Girls, é possível não se apaixonar pela Lorelai e pela Rory? Sério, por mais cheias de defeitos que elas sejam (o que é uma coisa boa, vamos nos lembrar), eu assistia pensando em como adoraria ser qualquer uma das duas, ou ter uma amiga, uma mãe, ou até uma filha como uma delas. O tipo de relação que elas têm é simplesmente precioso demais, e é ótimo ver isso sendo abordado de uma forma tão legal na televisão. Eu definitivamente perdi tempo da minha vida não tendo assistido a essa série antes. Mas, por outro lado, acho que assisti-la aos meus vinte e poucos anos fez com que eu tivesse uma experiência muito boa e muito diferente da que eu teria se tivesse visto durante a minha pré-adolescência.

Larissa: Diferente da Vick que já está terminando, eu ainda estou na terceira temporada. Decidi não correr pra tentar pegar o revival porque não queria ficar super saturada como geralmente fico depois de ver uma série rápido demais.

Não é como se eu não soubesse tudo o que vai acontecer ― tipo, eu tenho Tumblr, Twitter e Facebook , e todas as redes sociais onde as pessoas não ligam pro fato de que, 16 anos depois, ainda tem gente que não assistiu. E tudo bem. Embarquei em Gilmore Girls sabendo todos os fatos, mas ainda assim, a série tem me reservado surpresas.

A maior delas, na verdade, é a força dos relacionamentos e a polarização de opiniões que somos levados a ter em quase todos os episódios. Algumas coisas são unânimes (por exemplo, praticamente todo mundo odeia o Dean), mas outras são apenas pano pra manga. Podemos passar a vida toda aqui comentando sobre o relacionamento Emily x Lorelai, ou Lorelai x Rory, e ainda sairemos divididos ― tanto um entre o outro como nas nossas próprias opiniões. Não consigo odiar nem amar inteiramente ninguém, porque todos os personagens são tão humanos que é perceptível o crescimento e as lutas pelas quais eles passam ao longo da série. Isso é o que ganha a gente.

No fim das contas, eu fico apenas muito feliz de ter resolvido ver essa série só hoje, já adulta. Acho que, se tivesse visto lá na minha adolescência, talvez não tivesse a maturidade pra amar e odiar tanto todos os personagens, e dificilmente me identificaria tanto com tantos deles. Gilmore Girls é uma série pra vida.

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