As fibras silenciosas


Texto: Morphine Epiphany

Algumas fibras de silêncio são perpétuas. Aquela tênue pausa entre o beijo de encerramento e a poeira estagnada da despedida. 


E’ aquela língua a tremer em uma fúria que jamais se solta em palavras.  São os batimentos tão miúdos e falhos, quase em óbito acidental.


Às vezes, queria o ponteiro inexistente sem cravar e eternizar o silêncio dos olhos e respiração, quando e’ dominado pela morte.


Às vezes, queria a ampulheta estática e inexperiente sem apressar o silêncio da boca e coração, quando e’ abandonado pelo ser que te devorou nos segundos de constante barulho e te desarrumou nos minutos de intrigante bagunça. 


Eu só sei o quanto o silêncio  da boca que já não ama e do corpo que deixa de viver, e’ um labirinto propenso ao delírio das nossas fibras.

Cristiane Vieira de Farias, ou Morphine Epiphany, nasceu em 1987, na cidade de São Paulo. Formada em Produção de Música Eletrônica. Possui textos publicados em revistas, antologias e coletâneas. Seu livro de poesias ”Distorções” será lançado em 2016.

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