Antes e Depois


Texto: Larissa Siriani

Ser escritora é meu sonho de infância. Eu me lembro, como se fosse hoje, das primeiras histórias que escrevi – tenho várias delas ainda, escritas em cadernos que minha mãe se recusou a jogar fora. De vez em quando, pego aquelas páginas amareladas pra dar uma olhada.

Tem aquela da menina que era o patinho feio e um dia uma fadinha a torna a menina mais bonita do colégio. Tem aquela do garoto que come uma semente de laranja e vira árvore. E tem uma, a minha favorita, sobre uma menina que gosta de pintar, e todas as figuras que ela pinta viram realidade.

Acho engraçado como essas pequenas histórias acabaram refletindo muito do que eu me tornei. Sabe, acho que a nossa infância e as coisas que pensamos e pelas quais passamos nessa fase da vida são determinantes pro que vamos virar lá na frente. Comigo não foi diferente.

Eu sempre me senti o patinho feio, mas não teve fada pra vir me salvar; precisei ser minha própria fada madrinha. Não teve magia que me salvasse, foi na boa e velha psicologia mesmo – mas aprendi que existem várias formas de ser uma princesa.

Meu velho medo de criança de comer uma sementinha e criar uma árvore na barriga nunca se concretizou (não por falta de tentativa), mas outras sementes foram plantadas. Aqui e ali, criei raízes. Seja com a família, com os amigos, ou simplesmente nos lugares onde estive, minhas sementes estão em todos os lugares. A gente deixa pedaços por aí, como uma árvore que perdes suas folhas com o tempo. E ainda tenho tantas pra perder!

E sobre as pinturas… bem, não sei pintar. Não sou tão boa no desenho como era antigamente. Mas, à minha maneira, continuo pintando imagens – só que agora na cabeça dos meus leitores. Minhas imagens podem não sair correndo por aí, mas elas tem vida, da melhor maneira possível; elas vivem através de quem lê, e para eles, são tão íntimas e tão verdadeiras como se fossem mesmo de carne e osso.

Não sei bem onde as minhas histórias de hoje vão me levar. Pode ser que daqui a alguns anos eu olhe pra trás e lance pra elas o mesmo olhar nostálgico que hoje dedico às minhas historinhas de infância. Mas por enquanto, sei que estou formando algo maior. Meu próprio legado. Um souvenir que a Larissa de sete anos nem sabia, mas estava começando a deixar no mundo.

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