Aliens e Milharais


Texto: Maria Raquel Silva

São sempre milharais. É ali que começam os primeiros sinais de que alienígenas estão entre nós na ficção. Raramente são plantações de trigo ou grama. O mais comum são milharais. As plantas se curvam, mas não quebram, formando um desenho não natural lá no meio. Esses desenhos são feitos pelo pouso das naves alienígenas em nosso planeta. Na maioria das vezes os aliens tem como objetivo tomar a Terra ou os seres que nela vivem. Querem usar nossos corpos como cascas ou cobaias de experimentos. De qualquer forma, raramente vem em paz. É sempre uma invasão, e os humanos não são páreo para a desenvolvida tecnologia alienígena.

Arquivo X, Guerra dos Mundos, Invasion of the body snatchers, Sinais, Falling Skies, Marte Ataca, Attack the Block e tantos outros baseados na mesma premissa: alienígenas tomando o planeta Terra.

Essa obsessão do ser humano com alienígenas destruindo nossa sociedade tem a mesma raiz das histórias distópicas. A queda do sistema vigente. Os aliens quase nunca destroem nosso planeta físico, a Terra. Mas sempre desordenam nossos sistemas de governo, nosso tipo de sociedade, e principalmente, nosso sistema econômico (o primeiro que desaparece com invasões alienígenas). Assim como nas distopias, as histórias de invasões alienígenas soam muitas vezes como uma tentativa de escapar de um sistema em que o ser humano não parece viver confortável psicologicamente.

Além da ficção, a realidade está permeada pelo imaginário de lendas alienígenas. Todo país tem a sua. Roswell, Chupa-cabra, ET de Varginha. Nada provado, mas milhares ao redor do globo acreditam sem sombra de dúvida na presença de aliens entre nós. Se não no presente, então no passado. Alguns até chegam a acreditar que as pirâmides egípcias e astecas foram construídas com a ajuda de seres de outros planetas. Um livro dedicado ao assunto popularizou a teoria durante a década de 1970 (“Eram os deuses astronautas?”, Erich von Däniken).

A cultura ocidental eurocêntrica é tão rápida em colocar outras como inferiores que prefere crer que seres de outro planeta ergueram essas construções. É difícil para o homem branco processar que na época em que essas estruturas estavam sendo erguidas no Egito e na América Central, a Europa não tinha a mesma evolução tecnológica.

A possibilidade de vida fora do planeta Terra é tratada em um episódio da clássica série documental “Cosmos” de 1980. Carl Sagan, astrofísico e o apresentador/narrador, explica com maestria as chances de um encontro entre seres vivos de planetas diferentes. A verdade, diz ele, é que quando uma sociedade evoluir o bastante para fazer longas viagens interplanetárias em um ponto da galáxia, a sociedade localizada em outro ponto já terá evoluído e decaído. A possibilidade de um encontro entre as duas depende de tantos fatores que a única certeza é que seria muito difícil ocorrer. Uma invasão alienígena ficaria, então, apenas para a ficção. Os milharais continuam os mesmos, sem dano algum.

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Sobre M. R.

Paulista de nascimento, paulistana de alma. Já foi escoteira e já teve Orkut. Na próxima segunda começa aquele curso novo que não vai terminar. Assiste seriados. Muitos.