A tudo que agradeço


Texto: Juliana Coelho

às manhãs cinzas
aos cigarros apagados
à festa de ontem
ao perfume seco
ao quadro rachado
tudo bem.

Ao copo vazio
Ao tamborim calado
seu samba na sua casa
ainda bem.

Sua dança me levando
à confusão das 8 da manhã
à inspiração das 21
à contagem do dinheiro
às pessoas tagarelando
um mendigo cantando
uma madame mendigando
à luxúria de toda noite
ao capricho da vingança
aceitamos.

ao sono depois do terceiro despertador
à independência de ir embora
aos poucos apegos
a quem está sempre me olhando,
mas eu nunca vejo.

Aos lapsos de alegria e tristeza,
amo esse movimento.
À melancolia
que nada mais é
que esta grande facilidade
de sonhar e estar presente
ao mesmo tempo
o tempo todo.

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