A tal da visão particular dos fatos


Em primeiro lugar, eu queria agradecer a vocês pela oportunidade de lerem um texto meu. Como sabem, esse formato de texto não é muito a minha cara, visto que, normalmente, escrevo poesias, poemas e versinhos. Mas, ao descobrir o tema do mês, resolvi fazer algo um pouco diferente e me pôr na função de escrever, desse modo, sobre os últimos aprendizados que contribuíram (e muito) para a minha visão de mundo atual.

Nesse último semestre, nas minhas aulas de Teoria Literária, a professora Flavia Trocoli nos deu um banho de conhecimento no que diz respeito às formas de se ler um texto. E mais do que isso, nos mostrou como a nossa leitura é, sempre, influenciada pelo narrador. Depois de abordar diversos livros (em sua maioria, contos), prestes a fechar o curso, ela nos ofereceu a escolha de responder uma entre duas perguntas –a escolhida seria nosso trabalho final e consequentemente nossa nota na disciplina.

Posto isso, decidi que falaria sobre qual seria o grau de parcialidade de uma história e sua veracidade tendo como base a postura do narrador-personagem. Isto é, até que ponto a nossa leitura é conduzida para que tomemos aquilo como verdade absoluta? E até que ponto o bonzinho da história é realmente o bonzinho – visto que, diga-se de passagem, sempre que contamos algo a alguém levamos, na maioria das vezes, só nossa visão em consideração e isso acaba nos beneficiando?

Bom, após certa reflexão e análise do livro que o enunciado da questão trabalhava – A outra volta do parafuso, de Henry James – com relação a esses (e outros mais específicos) aspectos, eu pude concluir e tomar pra minha vida que a nossa perspectiva ao ler um livro, conto, uma matéria de uma revista, novela, romance ou qualquer outra forma textual, sempre será, de alguma forma, persuadida. É claro que levamos em consideração também a questão de que qualquer forma textual se baseia numa cooperação entre texto, autor e leitor, mas nesse caso específico estamos abordando apenas a questão do planejamento textual do autor, que diz respeito à forma com que ele estruturaliza seu texto para que sua mensagem seja captada, recebida, do jeito que ele pretende que seja, quer dizer, da forma com que ele espera que ela seja entendida e essa mensagem seja assimilada pelo receptor (seja leitor ou ouvinte, em outros casos) – para que nos posicionemos em prol da personagem. E talvez seja esse discurso que faça com que acabemos nos envolvendo tanto com a personagem, sobretudo em textos escritos em primeira pessoa – com uma narradora-personagem –, que nos sentimos dentro da história e dentro das sensações e da mente da personagem. A visão dela passa a ser nossa visão e todas as nossas opiniões a respeito do que se é lido são absorvidas de forma parcial.

Este é o ponto em que eu queria chegar. É aí que, de alguma forma, mora o perigo da leitura. Como podemos basear nosso entendimento de determinada história sem levarmos em conta a visão de outras personagens? Como podemos crer em somente uma visão? Não querendo ser a louca, paranoica e descrente de tudo que se lê  – sobretudo ficção –, mas eu queria levantar a questão chave disso tudo, que é: até aonde vai a veracidade dos fatos? Qual a linha tênue que separa a perspectiva do narrador e a ocorrência real dos fatos? Haveria outras formas de ler esses textos sem nos pautarmos tanto no ponto de vista do narrador? E outra, seria tudo isso, apenas, uma forma do autor nos propôr um convite ao desvendar o mistério do que é verdade?

O fato é que a gente nunca saberá se Capitu traiu ou não Bentinho. Entendem?! A gente nunca saberá a resposta e, talvez, só talvez, essa seja a grande graça. A graça de sermos manipulados por uma leitura um tanto quanto intrigante –que pairará nossa mente com diversas perguntas durante anos a fio.

Ps.: Eu só queria reiterar que nós devemos ter cuidado SEMPRE com o quanto o discurso pode ser manipulado para que ele esteja a favor do emissor. Devemos ter cuidado para que não caiamos em falácias. A todo instante corremos o risco de receber visões de histórias que não são o que de fato ocorreu. E isso, muitas vezes, é usado para que sejamos manipulados negativamente. Enfim, eu só queria salientar esse fato, que não devemos levar tudo ao pé da letra e que devemos, sempre, buscar maior conhecimento sobre assuntos que poderão ter impacto significativo na nossa vida.

Compartilhe:

Sobre Yasmim Medeiros

Yasmim tem 19 anos, mora no Rio de Janeiro-RJ, é estudante de Letras- português/literaturas (na UFRJ) e o tanto que ela tem de desorganizada, tem de paixão pelos Beatles. Quando não está atolada de textos para ler e escrever, a carioca está consumindo o conteúdo infindo da Netflix e fingindo que sabe fazer algum som audível no violão.