“A Sereia”, Kiera Cass


A Sereia foi o primeiro livro de Kiera Cass que li. Não foi por falta de interesse, porque os outros livros estão na minha lista. Mas tudo bem, fico feliz porque fui apresentada à autora com um livro fofíssimo. Esse foi o primeiro trabalho da autora, que inicialmente fora publicado de forma independente e só agora chegou na editora – mas ela conta tudo isso direitinho numa carta feita especialmente para os leitores brasileiros.

A história começa na década de 30, quando somos apresentados à Kahlen, uma jovem de 19 anos que está fazendo uma viagem de navio com os seus pais – uma das poucas famílias que conseguiram se manter financeiramente bem durante a Grande Depressão. Vozes atraentes e estranhas começaram a ser ouvidas e todos os passageiros foram atrás delas. Kahlen também se sente atraída e pula no mar, porém começou a pedir para ser salva. E foi isso o que aconteceu. Ela foi resgatada por três moças e entrou para a irmandade das sereias. 80 anos depois, Kahlen continua servindo a Água, mas tudo pode mudar, porque ela está prestes a cometer um dos maiores pecados de uma sereia.

As sereias precisam servir a Água durante 100 anos, matando humanos e resgatando jovens mulheres que são perfeitas para o papel de sereias sedutoras. Depois desses longos anos de serviço, elas finalmente ficam livres e voltam a ser humanas. E podem levar uma vida normal, já que quando estão presas à Água, elas não podem se relacionar com humanos.

Quero dizer, elas podem, mas é um pouco complicado, porque a voz da sereia é fatal. Se um humano ouvir – e isso vale para homens E mulheres – ele será atraído para a água mais próxima e morrerá afogado (e por água mais próxima, é isso mesmo o que você pensando. Desde uma pocinha até o mar). Quando as meninas estão na rua, elas se comunicam através da linguagem de sinais.

Já que eu comentei da rua, é importante falar que elas vivem entre os humanos. As sereias só vão para o mar quando precisam realizar algum trabalho para a Água. Quando não há necessidade, elas vivem em terra firme e fazem de tudo para passarem despercebidas. Mesmo quando estão no mar, elas não têm caudas.

Em uma dessas tentativas de conviver entra os humanos, Kahlen conhece Akinli, um rapaz que chama a sua atenção logo de cara. É bem claro que existe interesse mútuo ali e eles começam a trocar mensagens pelo celular, já que não se encontram com tanta frequência. Quando estão juntos, Kahlen se comunica com ele através de bilhetes o jovem faz de tudo para a garota se sentir confortável (ele acredita que ela é muda). E então que a vida de Kahlen fica mais difícil.

Ela ainda tem 20 anos de dedicação total à Água, o que significa que ela não vai conseguir acompanhar o envelhecimento de Akinli e isso a deixa triste. Além disso, ela fica preocupada com o rapaz, porque se a Água descobrir que ela se apaixonou, Ela pode machucá-lo. Kahlen também se preocupada com o seu futuro. Ela pode ser punida pela Água e só duas coisas podem acontecer: a morte ou a prorrogação do seu trabalho, o que acabaria de vez com as suas chances de ter um futuro com Akinli.

O amor é um tema muito importante em A Sereia, seja ele amor romântico ou o amor entre amigas. As menina, mesmo sendo completamente diferentes umas das outras, estão sempre prontas para ajudar a sua irmã quando ela precisa de ajuda. Elas abrem mão de suas vidas para o bem da outra. Elas se sacrificam pela outra. O laço que é criado entre elas assim que elas entram para a irmandade das sereias é eterno, mesmo que depois elas não sem lembrem mais de seu passado.

Meu único problema nesse livro foi em relação à Água. Entendi que a Água deveria funcionar tipo uma mãe para as meninas, já que depois da transformação, elas não se lembram mais de suas famílias e raramente continuam com memórias de quando ainda eram humanos. Porém, achei que o relacionamento da Água com as garotas era um pouco possessivo. Talvez essa tenha sido a intenção da autora, já que a Água sente como se as meninas fossem propriedades Dela e era preciso mostrar esse comportamento. Alguns momentos foram fofos e bonitinhos, mas confesso que, às vezes, fiquei um pouco incomodada.

Original: The Siren
Autor: Kiera Cass
Editora: Seguinte
Nota: 4 estrelas

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Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).