“A rebelde do deserto”, Alwyn Hamilton


a rebelde do desertoAmani Al’Hiza é uma garota que sonha em sair de sua cidade opressora, Vila da Poeira, e ir para Izman, a capital de Miraji. Mas, para sair da sua vila, ela precisa de dinheiro. Por isso, Amani se veste de menino e participa de concurso de tiros na cidade vizinha. Um imprevisto acontece e a garota se vê fugindo ao lado de um forasteiro chamado Jin. O que Amani não sabia é que Jin está sendo perseguido pelo exército do Sultão, e por isso, ela também vira um alvo.

Os dois começam a viver clandestinamente pelo deserto, passando por caravanas e fugindo das criaturas mágicas que, até então, Amani acreditava que estavam presas no passado. É nesse meio tempo que a garota descobre o que há por trás de todo o conflito envolvendo Jin e descobre também que ela é muito mais capaz do que imaginava.

Eu já me apaixonei logo de cara pela capa incrível e brilhante. Sim, gente, quando bate a luz nos detalhes dourados, eu não consigo pensar em nenhuma outra coisa a não ser: QUE COISA MAIS MARAVILHOSA! Mas ok, vamos falar sobre essa história cheias das lindezas? Então vamos lá…

Logo de cara, quando somos apresentados à Amani e a sua vida na Vila da Poeira, já vemos que a situação ali não é fácil para a garota. Órfã, ela foi morar na casa dos tios assim que sua mãe faleceu. Desde então, ela é maltratada e seu único futuro ali é um casamento arranjado e uma vida inteira de submissão. Amani quer fugir disso, porque ela sabe que esse futuro não lhe trará nada, exceto infelicidade.

E é nisso que eu quero focar. Meninas novas que são vendidas ou que casam com o cara que a família escolheu. Garotas que se tornam mulheres por obrigação. Garotas que só cuidam da casa e dos filhos, porque o resto, ah, o resto é papel do homem. Esse comportamento machista dos personagens masculinos (e por que não também das femininas que podem reproduzir comportamentos machistas aprendidos?) está presente durante toda a leitura.

Amani e Jin atravessam o deserto ao lado de uma caravana, porque Amani consegue emprego para os dois como vigias. E está tudo bem, até porque os responsáveis pela caravana acreditam que ela, na verdade, é um garoto. Quando eles estão fugindo, a disfarce de Amani cai e todos veem que ela é uma menina. E então eles começam a desconfiar de tudo que ela havia feito até então, inclusive a duvidar da capacidade de Amani de mantê-los a salvo.

 – Como devo confiar em uma garota para nos manter vivos?

– Ela nos trouxe até o deserto à noite. (…) Estaríamos seguros à luz do dia se não fosse por ela.

Como o livro é escrito do ponto de vista de Amani, temos o pensamento dela nesse momento:

Aquilo doeu. Depois de quase dois meses de confiança, bastava eu ser uma garota para mudar tudo.

O jeito como Amani encara tudo isso é simplesmente maravilhoso. Porque sim, ela é uma mulher que vive em uma sociedade extremamente machista e sexista (igualzinha à nossa), mas, assim como muitas meninas do nosso mundo, ela luta contra todas essas formas de opressão.

Amani não deixa que os homens digam o que ela pode fazer. Amani faz o que ela quer. Ela é uma personagem forte, porque as circunstâncias a fizeram assim. Desde nova ela precisou aprender a se defender. Ela é decidida e vai atrás dos seus sonhos. Amani descobre que tem coragem de se sacrificar por um bem maior. E no meio disso tudo, Amani consegue encontrar o seu espaço e finalmente sentir que pertence a algum lugar. Junto com outros jovens, ela vê que é capaz de ajudar nas mudanças necessárias para o deserto se tornar um lugar melhor para todos, mas principalmente para as mulheres.

A rebelde no deserto também é uma história muito mágica com criaturas que vivem escondidas no deserto. Há também as lendas e as histórias que são passadas de geração em geração, que nos ajuda a entender um pouco mais o mundo das nossas personagens. Além disso, também temos uma revolta e uma guerra entre o sultão e seu filho, ambos lutando pelo deserto, cada um com seus seguidores e seus ideais.

Amani entrou pra lista daquelas personagens femininas que são completamente inspiradoras. E a história já me faz aguardar ansiosamente pelo próximo livro.

Original: Rebel of the Sands
Autora: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Nota: 5 estrelas

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Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).