“A profecia do pássaro de fogo”, Melissa Grey


a profecia capaEcho era apenas uma garotinha quando conheceu a Ala na biblioteca de Nova York. Desde então, ela tem vivido com os Avicen, uma raça de pessoas com penas em vez de pelos e cabelos. Echo foi bem aceita dentro desse grupo diferente, mas algumas pessoas não gostam dela porque ela é uma humana, e como os Avicen estão em guerra, eles não podem confiar em qualquer um.

O conflito desse povo é com os Drakharin, pessoas com escamas, e existe desde que as duas raças podem se lembrar. Há apenas um jeito de parar esse conflito: a antiga profecia que diz que somente o pássaro de fogo pode pôr um fim nessa briga, e ele daria a vitória a quem o encontrasse. Os dois lado saem em busca das pistas dessa profecia e do lado dos Avicen, a escolhida para essa tarefa é Echo, porque como ela é humana, os Drakharin não desconfiariam dela.

A profecia do pássaro de fogo é, principalmente, uma história de amor, amizade, família e pertencimento. Para Echo, os Avicen são sua família e nada é mais importante para ela do que a aceitação deles. As pessoas mais importantes da vida de Echo têm penas. Ao aceitar participar da busca pelo pássaro de fogo, Echo quer mostrar aos outros Avicen que ela pode, sim, fazer parte dessa comunidade. E que ela é família, não inimiga. Que ali no meio deles ela pode ter o seu próprio espaço e todos podem viver em paz.

E é mais ou menos esse o pensamento que se desenvolve ao longo da trama, quando Echo conhece Caius, o líder dos Drakharin. Se os dois conseguem conviver bem, por que é difícil para os outros? Se Ivy, uma Avicen, consegue ajudar um Drakharin que a machucou, a se recuperar, por que os outros acham isso impossível? Quando estão todos dividindo um loft, vemos que apesar das diferenças, todos são bem parecidos quando falamos de desejos, sentimentos e medos.

Uma coisa que eu achei legal foi o modo de viajar dos Avicen. Eles usam um pó e qualquer coisa que se assemelhe a uma porta (ou uma passagem) e viajam no entremeio para qualquer lugar que eles desejarem. Sendo assim, é totalmente possível acordar em Paris e ir dormir em Los Angeles.

Não aprendemos muito sobre a família biológica de Echo nesse livro, mas em seu twitter, a autora já falou sobre a origem da garota (e ela ficou bem irritada com o que algumas pessoas estavam fazendo):

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Echo não é branca, mas sim latina. Como ela não foi criada por humanos, a autora não colocou a garota em contato com a sua cultura, mas ela não quer quer a personagem seja whitewashed. Melissa disse também que no segundo livro da trilogia, vamos ter uma Echo em contato com parte da sua cultura latina, o que me deixou muito empolgada.

Whitewashed é um termo em inglês que é formado a partir da união de duas palavras: white (branco) e washed (lavado). O significado dele é bem simples: apagar a etnia de um personagem para deixá-lo branco. Essa é uma prática tão comum e tão errada, porque veja bem, nós precisamos de diversidade em histórias. E é através da diversidade que as pessoas se sentem representadas. Ao transformar Echo em uma menina branca, a história dela é completamente apagada. E quando a história de Echo é apagada, milhares de meninas se veem fora daquele universo. Sem contar que, fazer esse embranquecimento é extremamente racista.

A profecia do pássaro de fogo é o primeiro livro de Melissa Grey, mas já é um ótimo começo para a carreira da autora. É um livro de fantasia bem divertido, com aventura e um pouquinho de romance. O desfecho é muito bom e poderia ser um livro único, mas ainda bem que teremos mais dois, porque sempre fica aquela pontinha de curiosidade.

Original: The Girl at Midnight
Autor: Melissa Grey
Editora: Seguinte
Nota: 4 estrelas

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Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).