A nossa velha infância – Editorial #13


Texto: Lorena Pimentel e Milena Martins

Crescer é esquisito. Não nos leve a mal, é legal às vezes, podemos ignorar as obrigações – não tem ninguém dizendo pra fazer a lição de casa – e fazer uma festa do pijama quando tiver vontade. Podemos comer sorvete no almoço, no jantar e, se sobrar, um pouco no café da manhã. Ninguém vai ligar se formos dançar na chuva ou trocarmos um programa chato por ficar na cama vendo TV.

A questão da infância é que ela é sempre idealizada. Nós não conseguimos lembrar de todos os detalhes, então nossa mente mistura memórias, flashes e fantasias. Afinal, é muito mais legal lembrar de uma professora da pré-escola que era quase uma bruxa do que uma pessoa normal. Os corredores por que andamos ficam maiores, as tarefas mais difíceis e as memórias mais nebulosas.

É isso que torna tudo tão nostálgico e tão divertido de ser lembrado. As histórias são mais engraçadas e mais preto-no-branco quando contadas do ponto de vista de uma criança. Sempre gostamos de lembrar das coisas idiotas que dissemos na frente dos outros.

Dia desses, em uma conversa entre amigas, estávamos contando histórias da nossa infância e percebemos o quanto tudo parecia maior na época. A Marina mencionou um bosque que, aos seis anos, parecia uma enorme floresta em que ela poderia se perder. Pensando agora, o lugar que ela visitou com a amiga de infância não deveria ser mais do que um punhado de árvores a uma distância pequena de sua casa, mas tudo era mais mágico quando éramos menores.

É por isso que, nesse mês, vamos voltar às origens e falar de infância. O que a gente fez, o que a gente sonhou, o que a gente leu quando crianças. As maravilhosas histórias infantis, a criatividade que tínhamos, as lendas que criávamos. E que, se procurarmos a fundo, continuamos criando.

As crianças dentro de nós continuam existindo. Nós podemos crescer e nos preocupar mais com contas e trânsito do que com fantasias e aventuras. Mas, mesmo que os momentos infantis existam com menos frequência, eles continuam aí, ocasionalmente nos lembrando de que é ok comer sorvete no jantar, em frente à TV. E talvez aquele seu chefe na verdade seja um gênio do mal. Nunca se sabe. Mas não vamos parar de fantasiar tão cedo.

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