A lista definitiva de melhores coisas de 2016, segundo a Pólen


Com o fim do ano, chega também a nossa necessidade de criar listas de acordo com categorias absolutamente arbitrárias. Aqui na Pólen não podia ser diferente. Separamos tudo que mais gostamos em 2016, seja na vida, na TV, na literatura, na música ou na internet. Prepare-se e comece já sua lista do que ver/ler/ouvir em 2017.

Atenção: as categorias aqui descritas seguem tão e somente a lógica dos nossos corações.

 

  1. Melhor início de dominação mundial

Sugestão de Diego Matioli

THE RISE OF NETFLIX ORIGINAL PRODUCTIONS. Em 2016 a Netflix trouxe muitas coisas boas pra nossa vida. Seja com retornos marcantes como Fuller House ou Gilmore Girls: A Year in the Life, seja com novidades como Stranger Things e The Get Down. A verdade é que as produções da Netflix vieram pra ficar e estamos todos ansiosos por 2017. Afinal, DESVENTURAS EM SÉRIE ESTÁ CHEGANDO!

 

  1. Melhor HQ

Por Priscilla Binato

Força, da Turma da Mônica, é uma história incrível contada com uma leveza que a Bianca Pinheiro (de BEAR) apresenta melhor do que ninguém. A história apresenta uma perspectiva muito diferente sobre divórcio, pelos olhos de uma criança – uma das mais famosas do Brasil, a Mônica.

 

  1. Melhor série estreante

Por Ariel Carvalho

This Is Us chegou destruindo os clichês e trazendo uma série focada em um núcleo familiar maravilhoso. Com um novo plot twist a cada episódio, ela é muito promissora e super elogiada pela crítica. Além disso, podemos rever Milo Ventimiglia nosso eterno namoradinho da adolescência. (Este último comentário foi da editora, achamos melhor esclarecer.)

 

  1. Melhor temporada de série

Por Priscilla Binato

THE MAGICIANS É MARAVILHOSO, VEJAM! Uma história totalmente diferente de tudo o que vemos na televisão, apresentando adolescentes e jovens adultos com uma perspectiva hiper-realista, sem medo de ser feliz. A história mescla uma profunda imaginação, um thriller e uma grande aventura em uma narrativa complexa que não é bem apreciada o suficiente na internet. Veja tudo de uma vez, não vai se arrepender.

 

  1. Melhor evento e por que foram as Olimpíadas

Por Fernanda Menegotto

Os meses que antecederam às Olimpíadas foram repletos de muita desconfiança internacional e, antes mesmo do início oficial dos jogos, nosso time de futebol masculino, que estava atrás do então inédito ouro olímpico, começou perdendo e ainda por cima jogando muito mal. Tudo poderia dar muito errado – até que não deu. Começou pela abertura, uma cerimônia esteticamente bonita, com mensagens importantes e muito brasileira, que tentou englobar um pouquinho dos muitos ritmos e manifestações culturais nossas, e acabou elogiada no mundo todo. E, depois, as competições. Muito se fala no poder transformador do esporte para os atletas – quem não lembra da história da Rafaela Silva, que virou até nome de escola? –, mas acredito muito que ele é transformador para o público também. No sábado pós-cerimônia de abertura, me vi torcendo por uma atleta da esgrima (!) e tentando a todo custo – como boa parte da minha timeline do Twitter – entender como se vence no judô. O esporte é bonito porque une um monte de pessoas diferentes na torcida por um mesmo sonho. Objetivamente falando, nossa vida não mudou em absolutamente nada depois que vimos o ouro de Thiago Braz ou as três medalhas de Isaquias Queiroz, mas esse nunca era o objetivo. Foi divertido e emocionante e, lá no fim, juntou milhares de atletas de todos os cantos do mundo num carnaval fora de hora e, mais do que medalhas, Olimpíadas é isso. É união, conexão e troca – e disso tivemos muito.

 

  1. Melhor ferramenta para sentir que está FAZENDO ALGUMA COISA PRA MUDAR AS COISAS PORQUE DO JEITO QUE ESTÁ NÃO DÁ

Por Marina V. Souza

O que salvou o ano pra mim foi o #merepresenta (www.merepresenta.org.br), que deu uma luz no fim do túnel da política brasileira e a primeira vez em que eu me senti parte de um grupo que estava fazendo alguma coisa.

 

  1. Melhor salvação de nossas almas

Por Clara Browne

Quando a AnOther Man publicou as capas de sua nova edição estrelando Harry Styles, Deus parou o que estava fazendo, os anjos cantaram e nós, mortais, fomos abençoados. Se alguém tinha alguma dúvida, Harry Styles confirmou: é possível uma alma ser salva por imagens na internet. Depois de quase um ano e meio sem 9dades sobre esse deus grego – digo, britânico -, tivemos uma quantidade exorbitante de imagens com ele vestido de Mick Jagger, adotado da família Weasley, tia lésbica, Sirius Black provando roupas de trouxas, Sirius Black com coleira que Remus Lupin gosta que ele use porque é #sexy, Xeroque Rolmes, a criança preferida da vovó, bicha que morreu na praia e, claro, disfarçado do girassol que ele é em meio às flores. No dia dessa publicação, o mundo parou e Harry Styles no salvou. Posso ouvir um amém de vocês? \o/ #blessed

 

  1. Melhor mudança de paradigma na internet

Por Anna Vitória Rocha

Em 2016, tudo foi meio demais. Na internet, onde é tudo demais desde sempre, isso significa uma quantidade de conteúdo, informação, problematização e discussão impossível de acompanhar. Enquanto tudo está cada vez mais rápido, parece contraditório o movimento feito por muitas pessoas de voltar a produzir conteúdo para as caixas de entrada. 2016 marcou a ascensão – ou o retorno – das newsletters. Em seu formato atual, a newsletter funciona com um conteúdo parecido com um blog das antigas que os assinantes recebem diretamente nos seus e-mails.

Tem newsletter pessoal, tem newsletter temática, meio que sobre o que você quiser – afinal, ainda é a internet. Além disso, as newsletters se mostraram um espaço seguro para mulheres compartilharem conteúdo na internet, seja falando diretamente sobre a experiência feminina ou simplesmente compartilhando trabalhos e num ambiente mais reservado, a salvo de exposição e mensagens de ódio. Mas qual a graça do e-mail, que não incorpora nem vídeo, quando se tem todas as outras plataformas?, você talvez esteja se perguntando, e eu respondo que a graça é justamente a simplicidade. Numa época em que tudo é demais, menos é mesmo mais (tumdumtss). Por mais elaborados que sejam os temas, textos e a curadoria, a newsletter ainda é mais pessoal, um canal direto de comunicação em que pode até se falar para milhares, milhões, mas que se escreve pensando em um, aquele que está do outro lado. O diálogo é facilitado e a troca é intensa, ainda que o compartilhamento seja limitado. Quando os ruídos ficam altos demais, é preciso desacelerar e, em vez de ouvir milhões, se concentrar numa só voz.

 

  1. Melhor livro de não-ficção que você não esperava gostar mas amou

Por Lorena Pimentel

Acreditem em mim quando eu disser que morri de amores por um livro que fala de esportes. Pois é, a vida é bem louca. Mas na onda das Olimpíadas e várias problematizações de gênero na cobertura de futebol, acabei descobrindo “Eat Play Sweat”, que é um livro-reportagem sobre a relação entre mulheres e esporte. Desde mulheres olímpicas – sdds, apenas sdds – até a problemática de que todo homem marca um futebol com amigos, mas mulheres só recebem incentivo para ir à academia tentar emagrecer. É uma defesa da prática do esporte não pra ser musa fitness nem pra perder quilos, mas pra se divertir, fazer amizades e ter um relacionamento mais positivo com o próprio corpo – coisa que perdemos na puberdade. Vai por mim, é muito legal.

 

  1. Melhor livro de ficção para descaralhar nossas cabeças

Por Milena Martins

2016 definitivamente foi o ano da #FerranteFever. Se em 2015 conhecemos a autora com A amiga genial e vimos a infância das duas amigas napolitanas muito cheias de #questões, esse ano pudemos mergulhar fundo na complicação que é a vida de Lila e Lenu. Se no primeiro volume percebemos o quanto a relação das duas é complexa e cheia de nuances e ficamos vendo de longe e reprovando muitas das atitudes delas, em História do novo sobrenome Ferrante nos provou que o buraco é bem mais embaixo. Todos os personagens nos provocam ódio e identificação em medidas parecidas, todos os conflitos são reais até demais. Ferrante chegou pra nos fazer lembrar que o melhor tipo de ficção é a que consegue nos perturbar o suficiente.

 

  1. Melhor meme nacional

Por Gabriel Lellis

E o meme de 2016 é: Glória Maria chapada na Jamaica!


Ok, foi um ano muito frutífero para memes. Tivemos em janeiro a diferentona, logo em seguida veio o Bambam Body BIRL, as Olímpiadas (menção honrosa para o mascote Vinícius de Gisele), as piadas com a Lava Jato e com o Governo Temer, Carreta Furacão e até coisas obscuras que pouca gente já ouviu falar, como a foto do João Kléber desmaiada na segunda feira.

Mas qual o motivo de escolher a Glória Maria? Bem, ela simboliza muito bem a loucura que foi esse ano. Se no começo parecia que as coisas iam ser mais calmas do que em 2015, bastou um empurrãozinho pra bater aquela onda forte e a gente ficar sem entender mais nada do que estava acontecendo: “será que estamos vivendo ou apenas existindo?”.

A verdade, é que Glória Maria somos todos nós, porque mesmo depois de tanta euforia é capaz de terminarmos o ano com uma leve (ou não) dor de cabeça. Ainda assim, valeu a pena.

 

  1. Melhor meme internacional

Por Milena Martins

2016 foi um ano difícil na política. Mais do que difícil, aterrador. Diante da nossa total falta de perspectivas e desespero completo, muitos memes surgiram na pegada “vamos rir pra não chorar”. 2017 vem aí pra gente também aumentar a discussão de por que precisamos tanto memetizar tudo de horrível que nos acontece. Mas por enquanto, podemos apenas rir mesmo.

O meme do Joe Biden com o Obama foi o que de melhor a internet internacional nos trouxe. Já sabemos que o brasileiro é muito mais bem sucedido nessa arte, mas esse meme demonstrou um grau de refinamento raro nos nossos amigos norte-americanos. Tudo que queremos é poder extravasar nossa necessidade de voltar a encarar Trump como um piada (spoiler: não podemos mais) enquanto damos vazão à nossa vontade de escrever fanfics sobre o relacionamento amoroso Obama-Biden.

 

  1. Melhor Nunca É Tarde Para Ser Fã

Por Paulo V. Santana

Desse ano, carrego um único arrependimento: não ter me entregado a Hamilton: An American Musical enquanto toda a minha timeline do Twitter (e famosos, e a família Obama, e o Tony Awards) ouvia/assistia e se apaixonava pelo musical. Em minha defesa, o ano foi corrido e eu só adiei porque sabia que ficaria viciado e simplesmente não tinha tempo para isso — e um pouco para ser do contra, mas não conta pra ninguém. Não deu outra, depois que escutei pela primeira vez não consegui parar de pagar mico dublando rap no meio do ônibus. Mas fica uma lição: se você ainda não ouviu o musical, não é tarde para abrir o Spotify na aba ao lado e ser FELIZ. Porque é assim que essa história de política, amor e devoção sobre Alexander Hamilton, o esquecido dos pais fundadores dos Estados Unidos me deixa. A mistura de rap, R&B e uma boa trama foi o grande destaque do mundo dos musicais e ao fim da primeira música você sabe por quê.

 

  1. Melhor feat. que você respeita

Por Marina V. Souza

A gente tava querendo peso e elas nos deram aquele dueto. Foi tiro, foi arrebatador, foi um FINALMENTE seguido de obrigada por existirem. MC Carol e Karol Conka estavam cada uma em seu caminho empoderado de ascensão, fazendo músicas cada vez mais fodas. MC Carol foi ganhando atenção por falar de tabus em letras que são, como dizem as migas no Valkírias (http://valkirias.com.br/karol-conka-mc-carol), umas das melhores feitas hoje em dia. E Karol Conka já divava nas baladas, sua batida invadindo espaços onde ela, como mulher negra, era minoria. E aí que elas me lançam um single, que já seria arrebatador por ser das duas, e ainda me colocam o título de 100% feminista. Era o hino que faltava na minha vida, a música que eu coloco alto pra ouvir na rua e enfrentar o assédio, ou de trilha sonora pra acompanhar discurso de machista na internet. Realmente, um feat. pra respeitar e venerar, pra dizer que 2016 não foi feito só de decepções.

 

  1. Melhor álbum nacional

Por Ariel Carvalho

Melhor Do Que Parece figura na minha lista  e na da Clara de melhores do ano. O álbum do trio paulista O Terno é uma mistura de Pet Sounds com tropicalismo, uma mistura de uma vibe retrô e sonoridades atuais. São 12 faixas que podem te fazer querer rodar a saia ou chorar num cantinho. E o mais legal: foi lançado através do Natura Musical, e está disponível para download gratuito!

 

  1. Melhores álbuns internacionais que fizeram barulho e foram um presente pra humanidade

Por Lara Matos

Neste ano Kendrick Lamar (compositor de “Bitch Better Have My Money”, da Rihanna) ganhou o Grammy com a música “Allright”, do seu álbum To Pimp a Butterfly, de 2015. O álbum chamou a atenção até de sites que são tipicamente redutos de música alternativa como o Pitchfork porque o álbum tem uma pegada de hino de esperança que sério, escutem. Até porque como ritmista ele é muito competente também. Esse ano também teve Lemonade da Beyoncé com suas letras mais que perfeitas, que inclusive me apresentaram a Warsan Shire, uma poeta talentosíssima de estruturas simples, mas conteúdo denso.

 

  1. Melhor coisa que poderia ter acontecido no sertanejo

Por Lara Matos

Teve muita música sertaneja feita por mulheres e explodindo como hits nacionais. Apesar de algumas (muitas) letras problemáticas, a abertura do mercado para mulheres fora de um padrão de beleza e de comportamento mainstream, como Marília Mendonça e as gêmeas Maiara e Maraísa, demonstra um avanço necessário, já que as mulheres não costumavam ganhar visibilidade cantando sertanejo, e muito menos com letras como “Infiel” e “50 Reais”, em que o romance ganha uma dose saborosa de amargura pouco explorada pelas mulheres no sertanejo nacional. Bom legado de Inezita Barroso, intérprete da Marvada Pinga, que nos deixou em 2015 e tinha um pouco do espírito que hoje se apresenta nessas moças.

 

  1. Melhor youtuber mandando a real

Por Lorena Pimentel

A Tessa Violet é uma youtuber das antigas, o que quer dizer que ela estava lá dividindo sua vida na internet desde 2008. Já acompanho ela há algum tempo, fez parte da minha adolescência, e agora que ela é bem famosa e já até lançou álbum (entre outras coisas, a Tessa é cantora) é bem legal ver sua evolução. Dito isso, ela é famosa no seu nicho, o youtube meio hipster meio fofo. Há alguns meses, ela fez um vídeo intitulado “I want to be famous”, que explicava que sim, ela gostaria de ter fama e sucesso na área da música.

Eu achei isso marcante e importante no meu ano por dois motivos: eu gosto do trabalho dela e concordo, acho que ela deveria ter um sucesso mais mainstream. Mas também porque como mulheres, nós sempre recebemos a mensagem de que não devemos apreciar nosso trabalho, que é feio se gabar, que é feio ter ambição e que fama é coisa de gente superficial. Foda-se isso: é ok querer ter seus talentos reconhecidos.

 

  1. Melhor história de sucesso nacional pra incomodar quem diz que brasileiro não lê

Por Mareska Cruz

Além dos livros de youtubers terem levado um monte de gente pra Bienal, a ficção nacional não ficou atrás e nossos autores lindos e cheirosos lotaram os estandes e as sessões de autógrafos, e aqui eu puxo o coro de fangirl dos escritores de ficção juvenil/jovem adulto. A interação direta com os leitores (não era missão impossível conseguir uma palavrinha com a maioria deles mesmo fora dos eventos oficiais, já que boa parte ficava passeando por aí e pelos estandes) ajudou e muito a conquistar o carinho e a atenção dos leitores, além da qualidade e diversidade do que vem sendo publicado. Dou destaque aqui pra três lindas que tiveram lançamentos que foram sucesso absoluto em suas respectivas editoras: Larissa Siriani com “Amor plus size” pela Verus, Pam Gonçalves com “Boa noite” pela Galera Record e Babi Dewet com “Sonata em punk rock” pela Gutenberg. Nossos autores nacionais e seus livros certamente merecem um lugar no ranking de “teve coisa boa em 2016 sim, calma gente”.

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