A família Glass


Texto: Ariel Carvalho

Você provavelmente conhece J. D. Salinger pelo seu trabalho mais famoso, O Apanhador no Campo de Centeio. Foi logo depois da criação desse livro que ele decidiu criar alguma coisa para tratar do vazio espiritual da sociedade americana da época.

Depois de duas tentativas, em 1952 e 1953, ele acabou decidindo pegar personagens de histórias antigas e transformá-los em uma única família. O que parecia uma solução preguiçosa deu muito certo, e todos esses personagens funcionaram muito bem como familiares, e Salinger continuaria a explorá-los por muito além de 1955.

Através da família Glass, o autor conseguiu, finalmente, propor as discussões sobre religião que queria. Os filhos participam, por um tempo, de um programa de perguntas na rádio, ganhando uma certa fama. Anos depois,  os mais velhos ficam, de certa forma, responsáveis pelos mais novos (Zooey e Franny), e leem livros sobre religião para botá-los para dormir.

Além da questão religiosa (que eu imagino ter causado polêmica na época), Salinger conseguiu criar essas histórias incríveis e personagens profundas que formavam uma família excêntrica, mas que, de alguma forma, fazia com que você se identificasse com ela.

Os Glass estão em vários livros publicados do autor. Em Nove Estórias, uma coletânea de contos, eles aparecem em “Um Dia Ideal para os Peixes-Banana” (a história mais melancólica deles, na minha opinião), “Lá Embaixo, no Bote” e em “Tio Wiggily in Connecticut”. Franny & Zooey, como o próprio título acusa, foca nos filhos mais novos da família e é um livro exclusivamente dos Glass. Ele reuniu duas novelas de Salinger, “Franny” e “Zooey”, e elas funcionam como um complemento uma da outra. Por fim, têm grande papel em Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira e Seymour: uma Apresentação, e a segunda história faz com que você se sinta amigo íntimo de Seymour Glass.

Suas aparições não ficam restritas às histórias publicadas em livro: Hapworth 16, 1924 é, na verdade, uma longa carta de Seymour a seus pais, escrita num acampamento ao qual ele vai com Buddy.

Glass family tree

 

A família

Les e Bessie são performers de vaudeville aposentados. Les é judeu e Bessie é irlandesa, e parece sempre preocupada com o fato de seus filhos não conseguirem funcionar bem em sociedade.

Seymour Glass é o mais velho, nascido em 1917. Ele falece em 1948, e sua morte é um momento crucial na história da família.

O segundo filho é Webb Gallagher Glass, mais conhecido como Buddy, nascido em 1919. Há quem acredite que ele é o alter ego de Salinger, e “Seymour – uma Apresentação” dá a entender que foi ele quem escreveu O Apanhador no Campo de Centeio.

Em 1920, nasceu Beatrice Glass, a Boo Boo. No ano seguinte, nasceram os gêmeos Walt e Waker. Esses três irmãos não são tão mencionados quanto os outros, e pouco se sabe deles, principalmente de Waker.

Apesar de ser conhecido como Zooey, o próximo filho nasceu Zachary Martin Glass, em 1930. Ele é ator, misantropo e um pouco negligente com a mãe. Ele e Franny (Frances, nascida em 1935) são muito unidos, como Seymour e Buddy eram antes do falecimento do mais velho.

 

Para conhecer mais: O site Dead Caulfields tem uma página dedicada à cronologia dos eventos da família, que é uma das coisas mais maravilhosas dessa internet, na minha opinião. Você pode visitá-la clicando aqui.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.