“A colônia”, Ezekiel Boone


capa-a-coloniaUm grupo de turistas está fazendo uma excursão nas florestas do Peru quando uma massa preta os ataca. O governo chinês soltou uma bomba atômica no seu próprio território, e depois alegou ter sido algo acidental. Nos EUA, um avião cai e o que encontram lá dentro é assustador. Na Índia, estranhos padrões sísmicos estão acontecendo. E enquanto tudo isso acontece, um laboratório de uma universidade em Washington recebe um estranho pacote com fósseis de uma antiga espécie. Tudo isso acontece ao mesmo tempo, e algumas juram que esse é só o começo do fim do mundo.

Quando eu era mais nova, lembro que sempre passava no SBT aquele filme Aracnofobia e eu sempre assistia. Morria de medo, mas assistia. A sensação que tive ao ler A colônia foi exatamente a mesma. Eu sabia que sentiria medo ou qualquer sentimento do tipo, mas mesmo assim não pude evitar. Era como se a história estivesse me chamando e a capa, com aquela aranha gigante já diz tudo: esse livro quer assustar. E se pararmos para pensar (e até mesmo como é dito no livro), as aranhas não totalmente ruins, certo? O que essas criaturas podem fazer contra o ser humano?

A resposta é bem simples: tudo.

É verdade que talvez uma aranha solitária não seja tão assustadora, mas várias delas juntas… Eu sei que sairia correndo para a direção oposta. E de acordo com o livro, elas com certeza conseguiriam me alcançar. O que me deixa ainda mais em pânico. E olha que eu nem tenho taaaanto medo assim de aranhas. Mas essas histórias têm um poder incrível: fazer surgir um medo que até então a gente não sabia que existia.

O jeito que tudo começa é muito simples. Um acidente ali, outro aqui e uma coisinha acontecendo lá do outro lado do mundo. Casos separados. Pode ser coincidência? Claro, por que não? Até que você percebe que não pode. Como é possível ter um acontecimento no Peru e outro na China? E é isso que faz a história ser tão interessante. Ela mostrar que, apesar da distância, o que está acontecendo não é único de uma região. As aranhas estão atacando e elas só têm um único objetivo: garantir a sua sobrevivência no meio dos humanos. E para isso, elas serão capazes de qualquer coisa. É nesse começo de um apocalipse que a nossa história acontece e presenciamos todo o desespero inicial.

O livro é narrado em terceira pessoa e acompanha diversos personagens em diversas partes do mundo. Cada um mostra o seu lado do “ataque” das aranhas, e cada um deles é mais desesperador que o outro. Não consigo imaginar como seria estar no lugar dessas personagens. Enquanto elas têm coragem de seguir em frente para descobrir o que está acontecendo, eu teria vontade de entrar dentro de casa e  ficar trancada, esperando o mundo acabar.

Para a minha surpresa (2016 e ainda fico surpresa com isso, olha só que absurdo), muitas das personagens incríveis eram mulheres. A professora e cientista especialista em aranhas, a presidenta dos Estados Unidos, a pesquisadora da Índia, a cabo dos Fuzileiros Navais norte-americanos.

A colônia é um livro que eu recomendo bastante, porque tem aquele medo gostosinho e é uma leitura que prende a sua atenção. É verdade que talvez você fique com medo de aranhas depois de ler, mas acho que essa é justamente a intenção, né? E que livro seria esse se ele não te deixasse com com medinho?

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Sobre Rovena

Rovena é de Vitória, formada em Relações Internacionais e atualmente cursa Letras-Inglês. Gosta muito de ler e ouvir música enquanto escreve. Grifinória, feminista e especialista em tretas do blink-182. Está no twitter (@rovsn).