A beleza das pequenas celebrações


Réveillon chegando e algumas coisas são certas: o especial do Roberto Carlos, o tiozão que vai fazer aquela “piada do pavê ou pacomê” e o alívio do ano finalmente chegar ao seu fim. Apesar das primeiras certezas serem bem tentadoras de comentar vou me concentrar na realidade de que nós, em suma maioria, celebrarmos mais o fato de 2017 acabar do que por tudo o que nos aconteceu de bom nesses meses.

Tenho certeza que muitos tiverem que lidar com grandes dores ou vários problemas menores que juntos ou frequentes, abalam qualquer estabilidade emocional. Mas o ponto que eu quero tocar é: a sua sensibilidade para enxergar coisas ruins é tão forte e apurada quanto para ver as situações legais e incríveis? Porque se você não possui disposição para notar coisas boas, inclusive as pequenas, seu ano pode ter sido ruim mais por problemas de astigmatismo do que por qualquer outra razão. E eu entendo perfeitamente se você nunca se questionou antes e/ou está completamente convencido de que suas habilidades para ver coisas boas estão ótimas.

Eu também era assim e foi depois que eu planejei ficar um dia sem reclamar achando que seria tarefa fácil que percebi o quanto sou viciada em me queixar. Quem nunca puxou uma conversa falando mal de alguma coisa (seja da fila, do tempo, da espera do ônibus, do atendimento, etc) que atire a primeira pedra. E foi apenas quando procurei mais sobre o assunto que compreendi a importância de celebrar e agradecer. E como isto está ligado diretamente com o quão satisfeito estamos ou não com o que temos, sobre a nossa perspectiva do copo meio cheio ou meio vazio.

Mas é preciso entender que gratidão e celebração só funciona quando praticada, assim como qualquer outra habilidade, não vai funcionar apenas dizer para ser mais positivo. Afirmar que é grato pela sua família também não, afinal é um conceito muito abstrato, é necessário ser mais específico. É preciso estimular a mente e o coração a enxergar coisas para agradecer, coisas que noutro tempo passariam desapercebidas.

Tente fazer o seguinte exercício: antes de dormir faça uma lista de coisas que fizeram o seu dia bom. Mesmo que seja detalhe como não se atrasar para o trabalho, não pegar transito, ganhar ou comprar um chocolate, comer sua comida favorita, encontrar uma amiga, ouvir uma música que gosta que não escutava há muito tempo, não ter aula na faculdade, achar 5 reais no bolso da calça. São pequenos prazeres. Tê-los é tão normal ou estamos tão preocupados com o que nos falta que ignoramos sua importância e o bem estar que proporcionam, até ficarmos sem.

É aquele ditado né “a gente só dá valor depois que perde”. Mas lembre-se: agradecer e celebrar é um exercício diário. E como qualquer outro exercício as mudanças significativas não vão aparecer no dia seguinte, mas elas vão acontecer e você só precisa ter paciência. Aos poucos você vai se alegrar com situações corriqueiras e sua cabeça sempre vai te lembrar algo para celebrar. E os dias ruins vão continuar existindo e você não vai virar uma Poliana da vida. Porém as tristezas, mágoas ou insatisfações não vão dominar seu dia. Esses sentimentos não terão tanto impacto, força, espaço ou duração como antes, porque você fez uma escolha: Celebrar o que de bom acontece e vai perceber que tem muito a agradecer.

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