9 adaptações melhores que os livros de origem


Fight Club/ Clube da Luta (1999) por Mayra Sousa Resende

Clube da Luta (filme) estreou em 1999 e foi dirigido por David Fincher e estrelado por Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter. Pelo elenco famoso e por ser parte de uma superprodução o filme acabou sendo muito conhecido, no entanto o livro que o originou nem tanto. O autor da história, Chuck Palahniuk, comenta em um livro biográfico o desapontamento em ver sua história brilhantemente adaptada, mas ter seu nome aparecendo na tela por apenas alguns segundos, na parte do “baseado na novela de Chuck Palahniuk”.

Com o aval de ser uma adaptação cinematográfica, os produtores gozaram de liberdade para fazer modificações na história. Assim, embora o livro seja muito bacana e mereça ser lido, a adaptação consegue superá-lo. A trilha sonora se encaixa perfeitamente com o romance e o teor do conteúdo é mais emocionante nas telas do que no livro. O filme ganha do livro, principalmente, na cena final, que, sob meu ponto de vista, é uma das mais brilhantes do cinema. O desencadeamento da história é diferente do que ocorre no livro, justamente porque se fosse igual, não causaria o mesmo impacto. Por fim, embora seja muito fã do autor da história, acredito que David Fincher fez um trabalho mais que excepcional na adaptação, transformando uma história com potencial em uma realização cinematográfica de grande porte e fazendo com que os fãs do livro idolatrassem o filme e com que os novos leitores não consigam tirar as imagens do filme da cabeça.

 

Godfather / O Poderoso Chefão (1972) por Priscilla Binato

Todo mundo sempre fala de O Poderoso Chefão. O filme é considerado um dos melhores filmes da história do cinema, sim. Ninguém nunca vai esquecer o Marlon Brando falando aquelas quotes clássicas e ninguém vai deixar de chamá-lo de Padrinho no dia do casamento da sua filha. Todos fomos avisados que você tem que deixar os amigos perto e os inimigos mais perto ainda. Mas o que eu vejo poucas pessoas lembrando quando veem o filme é que ele veio de um livro, escrito pelo escritor, jornalista e roteirista Mario Puzo. Inclusive, quando eu comento que eu já li em meio a minha obsessão por mafiosos, a resposta é geralmente de desconhecimento sobre a história ter vindo de um livro.

O fato é: O livro ser esquecido não é algo tão ruim assim. É um bom livro, é um excelente livro. Mas cada linha da história foi adaptada com maestria por Francis Ford Coppola para o cinema. Cada momento, cada suspiro, cada respirada soturna que é dada pelos mafiosos do livro que salvou Mario Puzo da falência é colocado na tela. A única coisa que falta é a imensidade de referências a todos os pênis que são feitas na história – algo bem recorrente, estamos todos de olho. E, de certa forma, o filme chega a ser imensamente melhor do que o livro por conta das coisas que foram retiradas dele, das descrições exageradas, da masculinidade impulsiva que se vê em todas as páginas. O filme é mais suave e mais compreensível, inclusive das suas conexões para o mundo real – Johnny Fontane é Frank Sinatra, Moe Greene é Bugsy Siegel e Vito Corleone fica muito conhecido como uma mistura de Frank Costello, Carlo Gambino e até alguns pontos que deixaram o chefe mafioso (de verdade) Joe Bonanno bem incomodado com o personagem.

 

The Notebook / Diário de uma paixão (2004) por Sabrina Coutinho 

Não tem jeito, “Diário de uma paixão” é daqueles filmes para assistir toda a vez que estiver passando. Começando pela fórmula da menina rica que se apaixona por um cara pobre que jamais vai ser aceito por sua família milionária, mas com quem passa momentos inesquecíveis. É impossível não se comover com a injustiça do casal não poder viver livremente o amor que sentem tão descaradamente, como na cena da casa abandonada ou a clássica cena do beijo na chuva. Para completar, só aqueles com coração de gelo conseguem encarar os minutos finais do filme sem derramar algumas (muitas) lágrimas – acho que o mundo todo já assistiu, mas não vou ficar distribuindo spoilers.

Em um verão chuvoso resolvi ler o livro, tentando encontrar aquela mesma emoção do filme que já havia assistido tantas vezes, esquecendo algo elementar: não tem o Ryan Gosling o autor, Nicholas Sparks. Aquela fórmula, que funciona tão bem na tela, no livro vira apenas…uma fórmula. Inclusive, a que o autor usa na maioria de seus livros. Toda a linguagem e a forma de contar a história é cheia de clichês, uma linguagem que apela para emocionar e, impossível não reparar, no recurso da editora de aumentar o corpo do texto e os espaços em branco para dar mais volume a uma obra que tem uma boa ideia por trás, mas não a executa da melhor forma.

Hemlock Grove / Hemlock Grove (2013 – 2015) por Debora Theobald 

Hemlock Grove é uma série original Netflix inspirada no livro homônimo. O livro escrito por Brian McGreevy ganhou destaque após a produção televisiva apresentar um tom sombrio, beirando o terror e prometendo revolucionar as histórias atuais de vampiros e lobisomens, levando-as de volta às origens.  O livro possui cerca de 300 páginas e corresponde a primeira temporada produzida pela Netflix (a série, já finalizada, possui um total de 3 temporadas). A trama, personagens, cenários, problemáticas e mitologia foram adaptados com maestria pela Netflix em sua primeira temporada. Ler o livro é ver a série e vice e versa, porém ao se contemplar as duas mídias, Hemlock Grove torna-se um bom exemplo de como nem todas as histórias são feitas para serem vistas e lidas. O livro tem um tom maçante, cansativo, confuso, não empolga e envolve do mesmo modo que a produção de TV que consegue dar ritmo, sentido e expor de forma sutil e convincente os traços principais dos personagens, tornar mais palpável a mitologia envolvendo upirs e lobisomens.  Desta forma, apesar de a série ser uma adaptação no estilo “linha a linha”, o poder de interpretação dos atores aliados a dinâmica proporcionada pela TV torna a primeira temporada bem mais rica, agradável e de encher os olhos que o livro.

A espuma dos dias (2013), por Paloma Durante

Boris Vian fez parte do movimento literário Patafísico proposto por Jarry, que tinha como intuito promover uma ‘ciência das soluções imaginárias e das leis que regulam exceções’ (há quem associe esse movimento com a própria fenomenologia). Como forma de promover estas soluções, Vian cria um universo fantástico no qual insere seus personagens, entre o frisson de uma cultura pop nascente, e o pessimismo e desilusão comum a produção dos artistas do pós-guerra, com a falência dos ideais de civilidade e progresso. O livro, que possui um vocabulário todo próprio – com neologismos e (des)signifações de vários termos que nos são conhecidos – são muito bem trabalhados no filme, e esse mundo fantástico, dúbio, histérico, é construído por um cenário absurdo, personagens cheios de trejeitos esquisitos e uma paleta de cores que transitam de Renoir à terríveis gradações de cinza: o balão que estoura quando sobe ao céu. Sem contar uma trilha sonora regada de Duke Ellington, e uma Audrey Tatou fofa de morrer…

 

As Vantagens de Ser Invisível // The Perks of Being Wallflower (2012), por Nina Spim 

Um YA de 1999 que não tenta mascarar o quanto viver é doloroso e, às vezes, sufocante. Escrito por Stephen Chbosky, hoje, é um tipo de história que viralizou, novamente, por entre os jovens. Uma atmosfera pesada, embora abrandada por alguns fatores, dentre os quais o mais forte é a amizade, delineia um período conturbado na vida de Charlie – um garoto, aparentemente comum, de 15 anos. Ele não tem muito traquejo social e prefere encontrar conforto, muitas vezes, nos livros. O que separa As Vantagens de O Apanhador no Campo de Centeio (outra obra com a mesma temática, percursor, inclusive dos YA’s), por exemplo, é que Charlie é alguém que tenta encontrar certo otimismo. Ele não se rende tão facilmente e, embora sinta uma dor psicológica gigantesca, consegue equilibrar isso na maior parte do tempo.

A adaptação cinematográfica conseguiu, com um resultado bastante satisfatório, transmitir a essência da estória. Logan Lerman, inclusive, encontrou um ponto essencial para conquistar tanto o público mais jovem quanto o que atinge a faixa-limite dos jovens adultos: ao contrário do Charlie do livro, que é alguém mais frágil e sensível – diga-se de passagem, também, bastante chorão -, o Charlie do filme pôde trabalhar o positivismo e o lado cômico da personagem. Emma Watson, apesar de ser eternamente a nossa queridinha Hermione Granger, também conseguiu ser inteiramente Sam com seus erros, acertos e sensibilidade. Ezra Miller como Patrick é, definitivamente, aquele elemento que tem luz própria e que cativa. O sucesso do filme deve-se, talvez, da mistura de uma ótima escalação de elenco (atores já bastante queridos pelo público-alvo) e de um roteiro que pôde explorar com maiores sutilezas outras formas daquilo que, para alguns, já é algo conhecido: essa constante angústia do que é se afogar em seus próprios sentimentos e pensamentos.

Gossip Girl, por Sofia Soter 

Começo (como de costume) com uma confissão pessoal: eu fui dona da primeira comunidade brasileira sobre Gossip Girl – os livros – no Orkut. Criei a comunidade só porque comecei a ler os livros, amei e não tinha ninguém pra conversar sobre, aí obviamente cansei de ser dona de comunidade e deixei pra lá. Essa curiosa e inútil anedota tem uma única finalidade: deixar claro que eu sou bem fã dos livros de Gossip Girl, escritos por Cecily von Ziegesar. Na verdade, eu li tipo metade da série na época que saiu e o resto (além da série spin-off The Carlyles) há poucos anos, numa crise existencial de desespero (nessas crises, ainda retorno à prequel da série, que por alguma razão é um alento ao meu coração).

No entanto, nada disso se compara ao amor profundo, amor verdadeiro, amor intenso que eu sinto pela série de televisão – a melhor série do mundo, a série da minha vida, que eu revejo com muito mais frequência do que é saudável; série que me trouxe Blair Waldorf, minha maior ídola fictícia. Não se compara, inclusive, porque eu sempre finjo que uma coisa não tem nada a ver com a outra, já que na categoria “adaptação” é péssima – os personagens são muito diferentes, os enredos não se parecem nada, nem a vibe geral é tão a mesma (os livros são bem mais adolescentes, enquanto na série os adolescentes e os adultos são igualmente maduros/imaturos). Só o tema geral se mantém (além dos nomes): um grupo de adolescentes podres de ricos vivendo seus dramas hiperprivilegiados no Upper East Side de Manhattan, bebendo bebidas caras, pegando gente bonita, usando roupas lindas que eu nunca serei capaz de pagar, se metendo em problema atrás de problema atrás de problema. No entanto, enquanto os livros se atêm mesmo a uma narrativa mais superficial, a série (especialmente na primeira temporada; talvez nas duas primeiras) traz uma complexidade narrativa muito além da esperada, sem medo de mostrar o lado horroroso de todos os seus personagens, mesmo que embalados em brilho, beleza e glamour.

Eu, você e a garota que vai morrer, por Dora Leroy

Você pode achar que Eu, Você e a Garota que vai morrer escrito por Jesse Andrews é uma cópia um pouco underground de A culpa é da estrelas, afinal, é sobre câncer, é um livro triste, pessoas morrem. Eu nunca cheguei a ler o livro do John Green, mas li o livro de Jesse Andrews. Narrado em primeira pessoa, como em um diário, nós acompanhamos a história de Greg, aquele garoto americano que segue uma vida forçadamente desinteressante, tem uma auto-estima no chão, não consegue ter amigos por causa disso, mas tem suas próprias artimanhas para conseguir se virar na tortura que é o colegial. Até que umas das suas namoradinhas de infância fica doente e ele se sente obrigado a se reaproximar dela.

A premissa do filme é a mesma, mas o diretor tomou um pouquinho de liberdade para mudar algumas (bastante) coisinhas. O livro e o filme acabam tendo pouco em comum (ou eu que sou viciada em detalhes): um final completamente diferente, personalidades um pouco distintas, sentimentos diferentes são explorados e sentimentos diferentes são criados. Isto não é necessariamente algo ruim, a verdade é que tanto o livro quando o filme são ótimos, mas, para o leitor desavisado que espera ver uma adaptação fiel do livro, não é exatamente isso que o filme promete.

Cidades de Papel (2015), por Lorena Pimentel

Falando no John Green: esse livro é mais good vibes do que c e r t o s outros que ele escreveu, mas ainda assim (ou talvez por isso) é o meu preferido dele. Já falei aqui de porque eu gosto tanto do livro,  mas principalmente o que me atraiu pra ele lá em 2009 foi que rola uma desconstrução de manic pixie dream girls e de como os estereótipos são prejudiciais para as mulheres.

Pensando nisso, fiquei um pouco receosa quando soube que ia rolar um filme, mas cara, nunca estive mais errada. Não só a história ficou super bem adaptada nas telas, como eu achei que acabou sendo melhor.  Não só os atores conseguem encarnar os personagens de forma hilária, mas as meninas aparecem mais no filme que no livro. E temos a presença da Angela durante a viagem de carro, o que não acontece no original. E qualquer adaptação que dê mais destaque pra meninas inteligentes e engraçadas é sempre uma boa, né?

Compartilhe: