7 livros young adult sobre relações familiares


Hoje eu (Maynnara) me reuni com a Rovena para falar de algo que amamos, livros! Existem milhares de livros maravilhosos por aí que trabalham com o tema família, mas resolvemos falar sobre essa representatividade nos livros young adult. Escolhemos alguns dos nossos livros que preferidos para falar um pouco sobre a relação familiar dos personagens.

 

Escolhas da Rovs

Second Chance Summer (Morgan Matson)

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A família de Taylor não era muito unida, com todo mundo ocupado na maior parte no tempo, mas mesmo assim eles se davam bem. Quando o pai de Taylor recebe uma notícia devastadora, eles decidem voltar para a sua antiga casa no lago para passarem o verão juntos. Na vilazinha Taylor reencontra sua sua antiga melhor amiga, seu primeiro namorado e percebe que as coisas podem ser do jeito que elas já foram antigamente.
E Taylor descobre com o passar do tempo, que a sua família está correndo contra o relógio e que, mesmo assim, o verão pode ser um de segundas oportunidades.

Os livros da Morgan sempre carregam um peso emocional muito grande. Quando li esse livro, estava passando por um problema semelhante na família, então me identifiquei com boa parte da história, mas o que eu gosto mesmo dos livros da Morgan é que, mesmo quando você nunca passou por aquilo, de alguma forma, você se identifica. Você consegue entrar dentro da história e fazer parta daquela família ou daquele grupo de amigos. O final do livro é terrivelmente bonito, assustador de tão real. É do tipo que te faz pensar na sua família e em todos os momentos que vocês passam juntos.
A família de Taylor, que começa separada um do outro, cada um seguido a sua individualidade, ocupados demais com seus próprios problemas, terminam o livro unidos e fortes, prontos para encararem o que estivesse pela frente. E Taylor cresce muito durante toda a história. Se antes, ela achava que passar um verão seria uma coisa chata, no final, ela já vê aquilo com uma das melhores coisas que poderiam acontecer em toda a sua vida.
Terminar um livro da Morgan Matson sempre me deixa com vontade de sair falando para as pessoas da minha que eu as amo. Muito. E que nós temos que aproveitar nosso tempo juntos enquanto ainda podemos.

 

Diga aos lobos que estou em casa (Carol Rifka Brunt)

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June só se sente compreeendida pela seu tio, Finn Weiss. Ele era seu padrinho e seu melhor amigo. Um dia, ela recebe a notícia de que seu tio faleceu de uma doença que a sua mãe não quer conversar sobre e todo esse mistério deixa June ainda mais confusa sobre a história do seu tio. Até que ela descobre, em outra pessoa desconhecida, aquilo que ela precisava para encarar, entender e aceitar a morte de Finn. E essa pessoa, June, a princípio o vê como um amigo de Finn, mas descobre que ele é muito mais do que isso.

June não sabia que seu tio era gay e que ele tinha AIDS. E também não sabia que haviam outras pessoas na vida dele e que ele também era importante para um outro alguém. Tudo isso era muito bem escondido por toda a sua família, porque ninguém queria aceitar que Finn se relacionava com outros homens. Quando June começa a sair com Toby, esse “amigo” do seu tio, ela tem que fazer escondido, porque sua mãe não pode saber que ela está se relacionando com o cara que passou a doença para seu irmão. É engraçado porque June se sente traída por Finn não ter contado a ela sobre Toby, mas ela vai entender os motivos aos poucos. E também percebe que não consegue se afastar de Toby, porque juntos, eles conseguem manter viva a memória de Finn, coisa que não é feita dentro da sua própria família.
Nesse meio tempo, temos June se afastando de sua mãe e Greta, sua irmão, agindo de uma maneira um pouco irritante e também esquisita. Entendemos depois que ela está assim porque achava que, com a morta de Finn, as duas poderiam se aproximar novamente. Mas é claro que isso não aconteceu, já que June começou a se relacionar com Toby pouco tempo depois.

Diga aos lobos que estou em casa é um livro maravilhoso sobre aceitação e amadurecimento. E o final é muito fofo, daqueles de chorar e ficar com sorrisinho no rosto.

Looking for Alibrandi (Melina Marchetta)

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Josephine Alibrandi foi criada por sua mãe, que engravidou aos 16 anos, e sua avó. Seu pai, ela sabe que era o vizinho, mas nunca o conheceu. Até que ele aparece na porta de casa, querendo visitar sua avó. De família italiana e criação católica, Josephine quer se desvencilhar de tudo isso e se encontrar no mundo; encontrar a sua liberdade e descobrir que ela é de verdade.

Looking for Alibrandi é um livro que carrega muitas tradições, sejam elas familiares ou religiosas. Minha família é italiana e se a sua for também, você vai se ver naquele meio confuso e barulhento, naqueles almoços de finais de semana e a casa cheia de familiares com as conversas altas. Quando a mãe de Josie engravidou, ela foi deixada um pouco de lado pela família e Josie cresceu ouvindo que o que a sua mãe fizera, era errado. Engraçado, porque ela não podia abortar ou usar qualquer tipo de contraceptivo, porque é proibido pela Igreja. Mas, ter o filho, também não parecia ser uma opção muito boa aos olhos da família.
Quando o pai de Josephine aparece na vida da filha, o relacionamento dos dois é exatamente aquilo que você imagina que seria: uma filha com raiva porque o pai abandonou a mãe quando ela estava grávida e um homem, que agora se sente preparado para ser um pai, tentando recuperar o tempo perdido. E toda a família se envolve nesse novo relacionamento, e coisas que Josie não entendia antes, fazem sentido agora.

Melina tem um jeito de escrever que te joga pra dentro da história e te coloca na pele daquelas personagens. Esse foi o seu primeiro trabalho e ela já conseguia fazer isso aqui. E eu gosto muito que ela sempre fala de família e não segue o padrão tradicional e mostra como isso afeta a vida das pessoas, mas que mesmo assim é possível seguir em frente e que, no final, o que importa é que nós temos.

Escolhas da May

The Summer of Chasing Mermaids (Sarah Ockler)

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The Summer of Chasing Mermaids conta a história de Elyse D’Abreau que junto com a sua irmã estava destinada ao estrelato. Uma das vozes mais belas de Tobago, Elyse vê seu sonho ir embora quando sofre um acidente de barco que faz com que ela perca a sua voz. Procurando fugir dos olhares preocupados e toda a atenção que a cercava no seu país, ela resolve aceitar o convite de uma amiga da família para ir passar um tempo em Atargatis Cove, em Oregon.

O que eu amo de verdade é a relação da Elyse dentro do contexto de Atargatis Cove, a Lemon, que é uma amiga da família, mora com a filha e são elas que acolhem Elyse quando ela se muda pros Estados Unidos. A Lemon é a figura materna que a Elyse nunca teve de verdade, já que a mãe dela morreu em um acidente quando ela nasceu. Eu amo como Lemon e Kirby tentam fazer de tudo para deixar que a Elyse saia da sua concha de depressão no próprio tempo dela e mesmo com a barreira da comunicação ainda são incrivelmente compreensivas. (A Kirby tem umas falhas, mas são justificadas, acho que no fim ela é realmente uma irmã pra Elyse, inclusive nas chatices).

Eu também amo a relação da Elyse com o Noah, irmão mais novo do mocinho. Noah pra mim é um personagem maravilhoso, com um coração lindo que entende Elyse tão bem e eu amo todas as interações deles.

Por ultimo, a própria família da Elyse é um caso a parte, não vou me aprofundar para não entregar spoilers, mas eles são o grande motivo dela se mudar pra Atargatis Cove e fugir dos constantes olhares de preocupação e expectativa. A família dela é cheia de mulheres incríveis, todas as irmãs mais velhas são bem sucedidas e a avó dela, junto com o pai é dono de um império de cacau nas ilhas de Trinidad e Tobago. Acho que no fundo eles não sabiam bem como ajuda-la naquele momento, mesmo que as intenções fossem boas.

 

My Life Next Door (Huntley Fitzpatrick)

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Os Garretts e os Reeds são vizinhos há alguns anos, mas nunca tiveram muito contato. As duas famílias são completamente opostas. Samantha Reed sempre foi recomendada pela sua mãe a não se aproximar dos Garretts, que ela acreditava serem a grande desgraça da vizinhança, uma família composta por muitos filhos, que faziam bastante barulho e era completamente desorganizados. Mas a vida de Samantha muda completamente quando Jase Garrett a pega os espiando e resolve finalmente falar com ela. Não preciso dizer que isso é o pontapé inicial do romance deles, não é mesmo?

A família Garrett é o que você pode imaginar de uma família grande e por família grande eu quero dizer pai, mãe e oito filhos! O romance de Sam com Jase a deixa cada vez mais próxima da família e quando ela menos imagina, ela se vê dando conselhos amorosos para a irmã pré-adolescente dele e cuidando dos irmãos mais novos. O grande problema é que como a mãe de Samantha é completamente contra a família Garrett, ela tem que esconder não só o relacionamento, mas também qualquer envolvimento que ela tem com eles.

A relação familiar dos Garretts como um todo já valeria esse livro, eles estão sempre ajudando uns aos outros e você consegue ver que apesar de serem tantos, eles não economizam no amor que sentem. Eles também estão sempre preocupados e protegendo uns aos outros, o que faz você se apaixonar por cada um, mesmo com as suas peculiaridades.

Diferente da família de Jase, a família de Samantha é composta por apenas três pessoas, ela, a mãe e a irmã mais velha. Mas Samantha passa boa parte do seu tempo sem as ver de verdade, porque a irmã a “abandonou” para viajar nas férias e a mãe está sempre focada na sua campanha política. Acho que conhecer de verdade a família Garrett faz Samantha perceber o quão complicado era a sua relação com a própria família. Isso a deixa um pouco mais disposta a confrontar o que antes ela evitava, como a mãe dela sendo super controladora e outras coisas mais importantes que não vou comentar aqui pra não dar spoiler e vocês ficarem curiosos pra ler hahahaha.

 

A caminho do verão (Sarah Dessen)

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Auden é uma daquelas típicas adolescentes overachiever, que se privou de várias coisas na vida para conseguir ser excelente na sua fase acadêmica, claro que isso deu bons frutos e fez ela ser aceita em uma universidade ótima. Tentando fugir de passar todo o verão com a sua mãe, ela resolve então embarcar para Colby para ficar com o pai, a madrasta e a sua nova irmã que ela ainda não conheceu.

Antes de me aprofundar nessa história, queria falar que os livros da Sarah são sempre compostos por esses verões de descobertas e com essas mudanças em relação à família. O processo de amadurecimento das suas protagonistas geralmente envolve lidar com algum problema familiar. Esse livro não é diferente.

A nova vida do pai de Auden acaba sendo bastante diferente do que ela esperava. Ao chegar em Colby ela se depara com o seu pai completamente imerso no processo de escrever um livro, o que faz com que ele dê zero atenção para a sua filha recém nascida Thysbe que parece estar constantemente chorando e para sua atual esposa Heidi que se vê a beira de um ataque de nervos.

O que eu mais gosto nesse livro é como Auden aprende a gostar de Heidi e perceber que ela está muito longe de ser o estereótipo que a mãe dela insistia em criticar. Heidi na verdade é super empreendedora e acho que a única pessoa na casa que realmente se importa com Auden. Amo a construção do relacionamento dela com Thysbe também.

No fim, eu não consegui realmente gostar dos pais de Auden, acho que eles são extremamente egocêntricos, mas acho que ela conseguiu conhecer novas formas de relacionamento familiar quando começou a deixar Heidi e Thysbe entrarem de verdade na vida dela.

 

Escolha das duas 

The Unexpected Everything (Morgan Matson)

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Andie tem a vida toda planejada e o seu verão não seria diferente. Quando já estava preparada para deixar a cidade para um curso que as suas amigas chamavam de “pré-pré-medicina”, ela vê os seus planos desmoronarem com a notícia de um escândalo envolvendo a carreira política de seu pai. Ela passa então a se adaptar a uma nova rotina onde ela não tem controle do que pode acontecer.

Rovena: Andie e seu pai não tem um relacionamento no começo do livro. Eu ia falar que não era muito bom, mas não chegava nem perto disso. Como ele era um cara muito ocupado com o trabalho e às vezes até precisava dormir fora de casa, quem cuidava de Andie eram outras pessoas. No celular dela, o contato dele era marcado pelo nome. E as coisas ficaram desse jeito depois que sua mãe faleceu.

May: Ele passa quase todo o tempo em Washington e a Andie acaba sendo criada por parentes distantes da família que são pagos para “cuidar dela. O que faz a mudança ser tão drástica no verão é que Andie não estava acostumada a ter alguém, de fato, responsável por ela, muito menos o pai.

Rovena: E ele já começou querendo colocar horários para ela chegar em casa. Sendo que antigamente isso não acontecia. Ela podia sair a hora que fosse e também chegava em casa quando quisesse. Isso não era muito controlado pelas pessoas que tomavam conta dela.

May: Sim! Ela se sente de certa forma perdendo a liberdade e ela nem tinha chegado a se reaproximar do pai ainda. Mas ele realmente se esforça pra se aproximar dela, sempre a convidando pra jantares, até a Andie questionar que ele não pode assumir um papel que ele não tinha mais na vida dela e é a partir daí que ele percebe o quanto foi negligente e a relação deles começa a crescer de novo.

Rovena: Sim, e eu achei muito legal ver essa mudança no pai, ver que ele queria ser diferente pra ele, porque ele também percebeu que todo aqueles afastamento não fazia bem pra nenhum dos dois. Achei fofo o jeito que ele se interessou pelo Clark e pelo trabalho dele. E todos aqueles momentos que Andie e o pai passavam juntos, vendo filmes, foi uma coisa linda de se ver. Era clara a mudança ocorrendo. Não foi uma coisa que mudou do dia pra noite, levou tempo e a gente conseguiu ver.

May: Pois é! Acho super legal a Morgan escrever tão bem sobre família e ela realmente sabe criar essas relações. Como você falou, eles foram construindo isso aos poucos e eu amo ele querer realmente fazer parte da vida dela e se interessar pelo que ela faz.

Rovena: A Morgan, quando vai falar de família, ela é destruídora. Miga, o que você achou da mãe da Andie, pelo pouco que vimos? Eu fiquei apaixonada. Aquela carta que ela escreveu. Foi tão tocante.

May: Exato, eu acho que ela constrói muito bem os personagens. Eu fiquei com a sensação de que a mãe dela ia ser a pessoa mais cool do mundo se tivesse viva e fiquei querendo conhecer mais sobre ela. Mas ela também fala de outras relações familiares conflitantes quando a Andie começa a conhecer mais o Clark, ela também acaba conhecendo o que fez ele se distanciar da família.

Rovena: Sim, e ela passa a entender um pouco mais o Clark também, né? O legal é que o livro aborda todos esses temas familiares, pesados, de um jeito muito doce, então a leitura não é angustiante em nenhum momento. Você se preocupada com o personagem e fica com uma dorzinha no coração, mas ele tá ali e tá bem, de uma certa forma. E ele sabe que vai ficar bem também. O que você acha?

May: Eu concordo muito! Eu devorei esse livro em um dia e só depois descobri que ele tinha mais de 500 páginas, os livros dela geralmente são grandes, mas você acaba se envolvendo tanto na narrativa que não percebe.

Rovena: Foi um choque descobrir que o livro tinha mais de 500 páginas, e mesmo assim achei que poderia ter mais? Porque terminei de ler querendo continuar ali com eles. Queria que o verão não tivesse acabado. E eu estava doida pra ver mais dessa nova relação da Andie com o seu pai (fikdik Morgan).

May: Por favor, Morgan! Queremos continuação (e mais livros)!

 

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Sobre Maynnara Jorge

Maynnara é paraibana, mas atualmente mora em São Paulo. Formada em Jornalismo e Produção de Moda. Ama ler, escrever e sente falta dos seus dois cachorros que ficaram na sua cidade. Ela também está no twitter como @maynnara_