7 ideias pra deixar o novo lar mais seu


Texto: Miguel Doldan

Tem algumas coisas nessa vida que são difíceis, não importa o quanto a gente se prepare pra elas. Acredite, eu me preparei por seis anos pra ver o episódio de Doctor Who em que o Ten regenera e, ainda assim, chorei feito um bebê com fome. Por isso, é normal a gente sofrer em maior ou menor grau a vida toda. O que não significa que não podemos tentar amenizar a dor do processo.

No exemplo acima, inclusive, minha solução foi ver o episódio com a namorada, que sempre fica fazendo comentários sobre como é fofinho que eu chore vendo séries ou filmes. Eu fico meio bolado e, pronto, acabou o chororô!

Enfim, na minha lista de coisas difíceis, uma que certamente fica acima de me despedir do Tennant, ir ao dentista e ter disciplina pra correr três vezes por semana, é: morar sozinho.

Responsible

Falando sério agora. Cientistas, que sabem mais do assunto do que eu, dizem que a gente começa a ter noção do que é espaço aos três anos de idade. Desde então, a tendência é que o espaço familiar para nós seja o acolhedor. Seja mãe, pai, tios, irmãos, avós… Não importa a composição familiar, a maioria de nós passa a infância em um ambiente onde existem poucas responsabilidades (estudar, arrumar o quarto, lavar a louça de vez em quando, etc.), e onde temos liberdade para nos dedicar a construção do nosso próprio espaço.

Enfim, a gente cresce. Seja porque vamos para a faculdade, mudamos de cidade pra um novo emprego ou simplesmente porque chegou a hora de alçar voo, um dia você se dá conta de que tem a sua própria casa e ela não se parece nadinha com a casa dos seus pais.

E agora?

As paredes brancas e vazias não se parecem em nada com as floridas cheias de porta retratos; a geladeira está sempre vazia, em contraste com a pia, sempre cheia de louça suja; e nada daquilo parece ser remotamente acolhedor. Como foi que seus pais saíram disso pra aquela casa de família em que você sempre viveu?

É difícil acreditar que isso é possível, especialmente porque nessa época a gente ainda luta contra conflitos de identidade, dificuldades financeiras, mercado de trabalho ingrato e mais um monte de outras crises existenciais perfeitamente válidas aos vinte e poucos anos.

Então, conversando com outros amigos que também moram sozinhos há alguns anos, listamos algumas coisas que podem ajudar a diminuir o senso de estranhamento que surge quando nos mudamos pra um ambiente diferente. Todos os itens são baseados em experiências pessoais e podem parecer meio simples e óbvios, mas nunca se sabe o que pode ajudar alguém. E, claro, nem tudo vai servir pra todo mundo, mas é sempre válido tentar.

 

  1. Deixe tudo sempre o mais limpo possível

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Parece meio óbvio, mas é mais difícil do que parece manter uma casa inteira limpa e organizada por mais de dois dias. O esforço compensa, porém. Evitar que a louça se acumule de um dia pro outro, passar uma vassourinha esperta no chão a cada dois dias, guardar as comidas em potes plásticos na geladeira, ao invés de enfiar a panela inteira, enfim… A diferença é que, depois de um dia cansativo no trabalho ou na faculdade, você vai se sentir bem melhor se lembrar que está voltando pra uma casa que não tem pratos sujos de macarronada empilhados na mesa. Falando nisso, também é importante se lembrar dos cheiros. Seja usando incenso, velas perfumadas ou só deixando o ar circular de vez em quando, o cheiro de limpeza da casa interfere bastante no seu estado de espírito. Um amigo, por exemplo, costumava usar a água que saía da máquina pra lavar o quintal, não só pela economia, mas porque o cheiro de amaciante que ficava depois lembrava a casa da mamãe. <3

 

  1. Não deixe todos os seus objetos pra trás

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Na hora de arrumar as malas pra se mudar pra casa nova, não abandone todos os seus itens pessoais. Pôsteres, quadros, fotos, ursinhos de pelúcia, enfim, qualquer coisa que você usava pra decorar seu quarto pode e deve ser levada para a casa nova. Esses itens podem ser incorporados na nova decoração e são um lembrete de que você não está tão distante e isolado assim da vida que você sempre conheceu.

 

  1. Mantenha alguma coisa viva, além de você mesmo

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Vale gato, cachorro, peixe, rato, planta ou qualquer coisa que não exista através da tela de um celular ou computador. Uma planta ou um bichinho (ou os dois) ajudam a reforçar a necessidade de limpeza (vide item 1), são uma excelente companhia pra afastar a bad e tem o dom de transformar qualquer cantinho em um esconderijo aconchegante. Escolha o seu sendo realista com seu grau de comprometimento. Se o máximo que você consegue manter é um cacto, não tem problema, começa daí e vai evoluindo aos poucos.

 

  1. Mude a cara de tudo, quando puder

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A coisa que mais me incomodou na minha última mudança era que todas as paredes, o sofá e a rack da casa eram brancos. Eu me sentia dentro de um hospital. A solução foi transformar uma das paredes em um gigantesco quadro negro e, a outra, em uma colagem de revistas. Parece pouco, mas fez uma enorme diferença. Existem vários tutoriais de coisas que podemos fazer em paredes que não são nossas (mas alugadas de pessoas mais velhas, que talvez não curtam muito ter seus imóveis transformados em pins do Pinterest). Seja o que for que você decidir fazer, mudar a cara do ambiente faz toda a diferença na hora de sentir que ele é realmente seu, e não que você está ali temporariamente (mesmo que você esteja).

 

  1. Não acumule coisas (ou as use na decoração)

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Considerando que a maioria de nós não é herdeiro de nada, são grandes as chances de o nosso primeiro espaço próprio ser um conjugado de 20m² ou um quarto na república da galera. Por isso, quanto mais tranqueira a gente acumular, mais sufocante vai ficar o ambiente. Analise sem dó o que você realmente precisa manter e se livre do resto. E aproveite pra usar os itens dos quais você não pode se desfazer pra dar uma cara nova ao lugar, como fazendo uma prateleira colorida ou um guarda-roupas diferentão.

 

  1. Sempre que possível tenha algo decente pra comer

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Não tô nem falando de fazer refeições completas, além do miojo. A ideia aqui é ter coisinhas que você possa beliscar de vez em quando, e que não tenham cara de comida de astronauta. Nem precisa de muito; um bolo, por exemplo, já é suficiente pra dar a sensação de casa de adulto que não vive de biscoito recheado. E não, não vale bolo de caneca!

 

  1. Tente conhecer os seus vizinhos (bônus se fizer amizade com eles)

Pelo menos pra mim esse é um dos mais difíceis, especialmente porque meu vizinho não é o Chris Evans. Mas saber que a velhinha do 130 é, na verdade, a dona Quitéria que tem um gato malhado; e que o moço do 132 é o Eduardo que trabalha na Light ajuda a afastar a sensação de isolamento. E, claro, você nunca sabe quando vai precisar de um copo de açúcar emprestado.

 

Com o tempo, vai ficando mais fácil se desprender da sua identidade anterior e forjar uma nova e, consequentemente, o espaço que antes era estranho passa a ser seu. E então novas mudanças acontecem e você tem que reconquistar seu lugar, tudinho de novo. A vida é feita de ciclos e o importante é saber que, pode até parecer, mas você não é o único suando a camisa pra encontrar um espaço pra chamar de seu nesse planetinha azul chamado Terra.

Respira fundo, vai dar tudo certo.

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Sobre Miguel Doldan

Sonserino, sagitário e Criminal Minds trash. Quando era criança, decidiu que ia viver da escrita e ninguém teve o bom senso de impedir. Hoje é jornalista e tenta sustentar seus dois gatos e o vício por Pepsi com isso, enquanto desbrava e conquista São Sebastião do Rio de Janeiro. Adora comédias românticas problemáticas e, de vez em sempre, escreve ficção.