7 futuros distópicos: dos clássicos às sagas adolescentes


Desde que o ser humano descobriu o tempo (lê-se, desde sempre), nos preocupamos com o futuro e seus resultados. E a literatura, como expressão artística e subjetiva da espécie, não escapou dessa temática. São muitos os livros sobre possíveis consequências que poderão ocorrer em anos próximos, principalmente as obras que surgem como fortes críticas a sistemas ou regimes. Esse gênero se chama distopia, uma oposição às utopias, que são esperançosas e contam com estados perfeitos e soluções ideais. As distopias geralmente mostram desdobramentos catastróficos da humanidade, e servem como um alerta para a sociedade não continuar como está. Listei aqui alguns livros distópicos, dos mais clássicos até as suas representações adolescentes, que estão fazendo muito sucesso no nosso mundo contemporâneo.

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO (ALDOUS HUXLEY, 1932)

Reconhece esse título? Talvez você já tenha ouvido “Admirável Chip Novo” (2003), o álbum de estreia da baiana Pitty. O livro de Huxley foi um marco na literatura distópica, inspirando vários campos da arte, até o nosso rock brasileiro. Nessa história, não existem famílias ou sentimentos, e os indivíduos são pré-condicionados, regidos pela droga ‘soma’ e classificados em grupos (de alfa, o topo, até ípslon, a base). É proibido pensar e criar laços emocionais. Há também uma discussão interessante entre civilização e bárbarie, no confronto com os ‘selvagens’ da reserva natural.

 

1984 (GEORGE ORWELL, 1949)

O inglês George Orwell, também autor de “Revolução dos Bichos” (1945) é figura obrigatória nesse tipo de lista. O seu maior romance, “1984”, foi recebido como uma crítica feroz aos regimes totalitários da época da segunda guerra mundial. É desse livro o ‘big brother’, o grande olho que tudo vê; e a expressão ‘duplipensar’, uma simultaneidade de pensamentos contraditórios (por exemplo, ser contra a legalização do aborto e dizer que ‘bandido bom é bandido morto’). Uma saga inspirada nessa obra e aclamada pela crítica foi a trilogia ‘1Q84’, do japonês Haruki Mukarami.

 

LARANJA MECÂNICA (ANTONHY BURGESS, 1962)

Com a célebre adaptação cinematógrafica de Stanley Kubrick (1971), o livro “Laranja Mecânica” é mundialmente famoso e referência da cultura pop. Ele retrata uma sociedade inglesa futura, e acompanha uma gangue adolescente com os valores calcados em ultraviolência, física e psicológica. A narração é feita pelo líder da gangue, que se diverte torturando e estuprando as pessoas. Há uma discussão que aborda como o Estado lida com esse tipo de problema, e os limites da liberdade de escolha.

 

O DOADOR DE MEMÓRIAS (LOIS LOWRY, 1993)

Pertencente a uma saga de quatro livros, “O Doador de Memórias” voltou às prateleiras do público graças a adaptação cinematógrafica de 2014, que conta com a participação de Maryl Streep (informação importante). Vemos uma sociedade aparentemente ideal, porém, a artimanha utilizada para mantê-la pacata é ocultar o passado — as pessoas conhecem apenas o presente. O grande mote dessa história é o controle de informações que o governo dá a seus cidadãos, selecionando apenas um escolhido para guardar essas memórias.

TRILOGIA JOGOS VORAZES (SUZANNE COLLINS, 2008)

Em um mundo dividido em 13 distritos (ops, história dos Estados Unidos?), a capital se utiliza de um evento anual para controlar seus habitantes: os Jogos Vorazes, uma espécie de olimpíada mortal, onde o último que sobreviver vence. A trilogia se desdobrou em quatro filmes, que fizeram um sucesso estrondoso e foram estrelados pela ganhadora do Oscar Jennifer Lawrence. #FightLikeAGirl

CYBER BRASILIANA (RICHARD DIEGUES, 2010)

Fazendo a pesquisa, tentei encontrar distopias na literatura brasileira. Deparei-me com esse livro de 2010, de Richard Diegues. Como não li ainda, deixo aqui a sinopse do Skoob e o incentivo para prestigiarmos autores tupiniquins: “uma Realidade Alternativa, que se desenvolve em um universo Pós-cyber, no qual os países do eixo-norte do globo se encontram em decadência, confrontados pelas três grandes potências surgidas no eixo-sul: a União da República Brasiliana, a Africanísia e a Euronova. Foi nesse contexto que o Hipermundo se desenvolveu. Um sistema baseado em uma super-rede de servidores, no qual as pessoas desfrutam de uma forma complexa de realidade aumentada, utilizando-a para trabalho, socialização, cultura e registro digital de todas as informações mundiais.”

SÉRIE DIVERGENTE (VERONICA ROTH, 2011)

O último dessa lista é também o mais recente, com a primeira publicação em 2011. Numa Chicago futurista, as pessoas são divididas em facções, a partir de um teste vocacional feito aos 16 anos. Porém, a heroína Tris percebe que não se encaixa em apenas uma dessas divisões, e descobre que o nome disso é ‘divergente’. A série começou com a trilogia Divergente, mas vai continuar seguindo o personagem “Quatro”.

 

Quais desses futuros serão mais prováveis de acontecer? Deixe pra nós nos comentários 😉

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Sobre Bruna Kalil

Estudante de Letras, amante de literatura e artes em geral, cinéfila, feminista, faladeira. É autora do livro de poesia "POÉTIQUASE", pela Editora Letramento. http://brunakalilothero.weebly.com/

  • Bruna Kalil Othero

    Poxa, Ana, que bom que gostou! Muito obrigada pelas indicações, vou procurar sim!! Beijo e volte sempre <3

  • Oi Bruna! Muito boa sua seleção! Dentro dela, li 1984, a série de Jogos Vorazes e os dois primeiros livros de Divergente (não curti, então parei). Se você curte o gênero distópico eu indicaria Estação Onze, um livro sensacional que li em 2015 e fala sobre o mundo após o ataque de um vírus da gripe que mata em questão de horas. A população foi dizimada e sobraram pouquíssimas pessoas que tiveram que reaprender a viver em um mundo completamente diferente. Outro que eu li a mais tempo e não é tão bom mas eu também indico é A idade dos milagres, onde os dias passam a durar cada vez mais horas e as pessoas perdem a segurança que tem no calendário. Tem outra ainda que eu só li o primeiro livro, mas tem uma premissa interessante, que é a série Feios, que fala de um mundo onde todas as pessoas tem que passar por cirurgias para se tornarem seres humanos perfeitos esteticamente, se você curte a ideia acho que vale a pena conferir 🙂