6 dedicatórias que nós amamos


O tema desse mês da Pólen é ‘corresponder’. Nós falamos de cartas, de mensagens no whatsapp, de falta de comunicação, de histórias que atravessam barreiras do espaço-tempo. Mas estamos aqui para falar de outro tipo de correspondência: as dedicatórias. Dedicatórias são partes interessantes de um livro. Elas transformam as histórias em mensagens que seus autores querem mandar a alguém. E aqui estão nossas favoritas, escolhidas pelos colaboradores:

  • Odhara Faça boa arte, Neil Gaiman

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Este livro é para todos que estão olhando ao redor e pensando: e agora?

Essa é a dedicatória do livro Faça Boa Arte, do Neil Gaiman. Este livro, na verdade, traz o discurso de formatura que ele fez na University of the Arts da Filadélfia. É muito fácil a gente se sentir desamparado quando tem energia criativa e nenhuma ideia do que fazer com ela. A gente não sabe por que ponta puxar e isso já dá um desânimo logo de saída: tanto desânimo que às vezes a gente nem sai do lugar. E esse livro é sempre o empurrãozinho que faltava quando eu me vejo paralisada de angústia. Faça boa arte.

  • MilenaO oceano no fim do caminho, Neil Gaiman

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Sempre me pergunto como a gente descobre quais são as histórias que merecem ser contadas. Ou seriam todas? O que diferencia umas das outras? Encontrei minha resposta bem no início de um livro que é justamente sobre como transformamos nossas experiências reais em um mundo próprio. Tudo que você precisa para poder começar uma história é alguém do outro lado querendo saber.

  • RovenaHollow City, Ransom Riggs

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Dedicatória de ‘Hollow City’, do Ransom Riggs. Quem segue o moço no instagram sabe que ele é completamente apaixonado por sua esposa, a também autora, Tahereh Maffi. O casamento foi numa livraria e Tahereh usou um buquê de flores feito com as páginas do primeiro livro de Ransom, ‘Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children’. Os dois são lindos, adoráveis, fantásticos e fazem meu coração bater mais rapidinho.

  • LorenaAn Abundance of Katherines (O teorema Katherine), John Green

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Eu prometo que não escolhi essa dedicatória só porque essas pessoas me reblogaram no tumblr outro dia e me deram quinze minutos de fama na internet (falando nisso, John Green é gente como a gente e viciado no tumblr, porque foi o primeiro a reblogar o post). Juro.

Eu li esse livro pela primeira vez há anos e desde então se tornou minha dedicatória favorita. Não só porque, como a Rovena falou aí em cima, “os dois são lindos, adoráveis, fantásticos e fazem meu coração bater mais rapidinho” (alô, casais que se reblogam no tumblr?), mas porque – e culpe a J.K. Rowling por isso – eu adoro anagramas. Há vários legais em Katherines, mas nenhum supera o amorzinho que é a dedicatória. Quer dizer, é um poema. De anagramas. Não dá pra ser mais legal. Ah, e acho essa citação no final uma verdade inegável.

  • AnaluDesventuras em Série, Lemony Snicket

Não consigo pensar numa enumeração de dedicatórias que não tenha a coleção toda de “Desventuras em série”. Podem não ser as mais lindas, latentes e verdadeiras que já vi na vida – mas são com certeza as mais geniais. Com o pseudônimo de Lemony Snicket, autor/narrador que participa ativamente da história dos livros, Daniel Handler levou tudo muito a sério até na hora de dedicar: Lemony dedica os 13 volumes à sua amada Béatrice, personagem importante da história, que já é falecida. Tudo o que ele faz em cada uma das dedicatórias é deixar claro que ele ainda a ama, e que ela está morta.

Vale a pena conferir todas (achei nesse link aqui!), mas só para dar um gostinho, aí vai a minha favorita:
Para Béatrice – O verão sem você é frio como o inverno. O inverno sem você é mais frio ainda.
  • Anna VitóriaMemórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis

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Uma coisa que aprendemos por meio das memórias desse defunto-autor, cuja voz podemos ouvir através da narrativa de Machado de Assis, é que não há nada tão incomensurável como os desdém dos finados. O fato de não ligar para as convenções sociais, se despindo de qualquer filtro ou vontade de se mostrar melhor do que de fato é, permite que Brás Cubas conte sua história de um jeito sincero, cínico e que não perdoa ninguém – nem a ele mesmo. Isso só é possível graças à sua residência fixa sete palmos abaixo do chão, e o resultado é tão incrível que nada mais justo do que dedicar o livro ao verme que deu início à toda essa libertação.

  • Bônus, de todos nós: Harry Potter e as Relíquias da Morte, J.K. Rowling

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