4 fases que eu vivi morando do outro lado do mundo


Faz mais de um mês que me mudei pra Irlanda, e os desafios nunca terminam. Mas sinto que já deu pra ter noção de algumas coisinhas, que eu vou compartilhar com vocês agora (mais umas fotos minhas que eu tirei em Dublin pra acompanhar) :

  1. Novidades por todos os lados
    Quando você chega em um lugar novo, tem que reaprender um monte de coisa – pra que lado olhar quando for atravessar a rua, como usar o fogão, de que maneira cumprimentar as pessoas, tentar fazer a água esquentar na hora de tomar banho, e milhares de outras preocupações que você não teria se estivesse em casa, na mesma cidade de sempre, indo de um lado pro outro sem pensar duas vezes. É como se você virasse uma criança de novo. Seus parâmetros, que você lutou tanto pra construir durante todos esses anos, não fazem mais o menor sentido no novo contexto; então a única coisa a ser feita é criar coragem e sair por aí fazendo o que der pra fazer, até pegar o jeito. O lado bom é que, apesar de tanto perrengue, toda nova descoberta vai te trazer aquele gostinho incomparável de conquista.


  2. No topo do mundoDepois que você começa a se acostumar com as regrinhas do seu novo dia-a-dia, vem aquela sensação de estar no controle, como se tudo fosse possível a partir desse momento. Sua perspectiva muda, e aí dá a impressão de que o mundo está a sua disposição, pronto pra ser descoberto. Até que você percebe que aquela passagem pra Londres não está tão barata assim, que o adaptador que você comprou não encaixa direito na tomada e que você deve muito àquele mercadinho que vende coxinha exótica brasileira, o que te ajuda a se sentir melhor nos momentos de ansiedade e frustração.

  3. Em busca do seu lugarEntão tá, você já aprendeu a nunca sair de casa sem guarda-chuva, qual é o supermercado mais em conta pra economizar ao máximo seu dinheirinho precioso e limitado, o atalho pra chegar em casa mais rápido, a checar duas vezes se tem uma aranha na banheira… Mas apesar de estar se misturando na multidão e se adaptando aos hábitos, qual é o seu lugar no meio de tudo isso? Quando os obstáculos menores e mais concretos vão diminuindo, vem aquele frio na barriga te avisando que chegou a hora de encarar as expectativas e planos que você trouxe com você e começar a criar o seu próprio mundinho no meio de toda essa bagunça.

  4. De olho no entorno
    É natural ficar deslumbrado com tanta coisa incrível ao seu redor: todas aquelas experiências geniais que você imaginava que ia ter, só ficam mais maravilhosas ainda quando se tornam concretas. Tem muito a ser explorado ao seu alcance, e agora cabe a você decidir por onde começar. E que difícil que essa escolha pode ser!

Com tantas opções disponíveis, não é fácil ter certeza na hora de dar o próximo passo. Mas o que essa independência forçada me fez perceber é que o peso da responsabilidade de construir suas coisas sozinho é saber pedir ajuda, aprender a ter calma e nunca perder o senso de humor. Porque mesmo quando você desiste de brigar com o botão do fogão pra cozinhar e carboniza uma torrada na tentativa de não ir pra cama morrendo de fome, o sinal de fumaça (nesse caso literal e bastante inconveniente) tem sua função. Sempre vai ter aquela pessoa que te oferece um prato de batata frita e te convida pra assistir o jogo de rugby (pelo qual você não tem o menor interesse), mas que te convence, como se fosse uma vozinha atrás da sua orelha: “eu consigo fazer isso, eu consigo“.

 

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Sobre Ana Levisky

Ana terminou seu Mestrado na Irlanda e tenta se convencer de que Processo Criativo é sim uma área relevante de estudo. Quando tem tempo faz filmes, já que se formou pra isso.