“Outro Dia”, David Levithan


Aqueles que já leram “Todo Dia” conhecem a história de Rhiannon e A, e todas as complicações existentes no meio dela. Para quem não conhecer, A acorda no corpo de uma pessoa diferente a cada dia, e se apaixona por Rhiannon a acordar no corpo de seu namorado.

O livro já foi resenhado na revista, na edição 2.

Apesar de ser vendido como uma continuação de “Todo Dia”, não consigo ver “Outro Dia” como tal. Os eventos de um acontecem ao mesmo tempo que os do outro, e a única diferença entre eles é o narrador. No primeiro, A é quem conta a sua história. Já no segundo, é Rhiannon quem apresenta a sua versão dos fatos.

Alguns trechos que existem em “Outro Dia” não foram mencionados em “Todo Dia”. Ler o novo lançamento de Levithan foi como ouvir um amigo contando uma história já conhecida, mas que fora contada por outra pessoa.

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Outra questão interessante é que, ao ler o livro, o leitor conhece uma Rhiannon diferente daquela que A conhece, já que ela compartilha seus pensamentos e sentimentos com quem lê, e A enxerga apenas aquilo que uma pessoa apaixonada enxerga.

Rhiannon nos conta toda a sua confusão mental. No começo, é por culpa do namorado, Justin, que acha que ela se preocupa demais com o futuro, que pensa muito no que vem depois. No livro, acabamos conhecendo um pouco mais de Justin também, já que A nunca teve muito contato com ele.

Depois, a confusão de Rhiannon muda. Apesar de continuar com medo de fazer planos, dessa vez é por motivo diferente: A jamais acorda no corpo de uma mesma pessoa novamente. Além disso, há toda uma briga interna na garota. Será que ela conseguiria amar todos os corpos que A habitasse? Será que o que vale mais na hora de se apaixonar é o corpo, ou será que é aquele brilho nos olhos, a pessoa que está dentro do corpo?

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Justin, aliás, é extremamente tóxico para Rhiannon. Ele faz com que ela sinta a constante necessidade de se desculpar, conta que ela vai estar ao lado dele o tempo todo, e se importa apenas com as suas vontades. A própria Rhiannon diz que os dois bons são raros, e que normalmente ele age de forma indiferente a ela. O que mais me incomoda nas atitudes dele é que ele não a procura em momento algum, sempre esperando que ela vá correndo até ele.

Quando A entra na história, Rhiannon percebe quão abusivo é o seu relacionamento (uma de suas amigas comenta que, se ela precisa pensar “ah, não está ruim, ele não me bate” é porque há algo muito errado) e como é diferente ser vista pelos olhos de alguém que se importa de verdade.

Da mesma forma que em “Todo Dia”, David Levithan arranca nossos corações com uma história tão irreal e, ao mesmo tempo, tão real. E, se no fim do primeiro livro, era A quem nos contava o que acontecia na manhã seguinte, agora sabemos também o que houve com Rhiannon.

E eu tenho medo de nunca querer parar de ler sobre esses dois.

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Sobre Ariel Carvalho

Ariel é uma lua de Urano, um espírito do ar, um sabão em pó, uma marca de carro e uma pequena sereia, mas também é uma bibliotecária carioca que não consegue terminar a meta de leitura, sabe tudo de Monty Python e chora com filmes de ficção científica.