30 confissões sobre masturbação para acabar com o tabu


Organização: Amanda Tracera

Embora estejamos inseridos em uma sociedade que preza cada vez mais pelo contato carnal, falar abertamente sobre masturbação ainda não é uma prática muito comum, especialmente no ambiente feminino. Apesar das suas inquestionáveis qualidades e de ser uma atividade que a grande maioria das pessoas vai, em algum momento, experimentar, por algum motivos ainda parecemos sentir que conversar sobre ela é íntimo demais, até estranho. E por quê?

A resposta mais imediata é sempre a mesma: machismo. O gênero feminino de maneira geral “não pode” falar sobre masturbação pois não se espera de uma mulher a necessidade ou a busca por prazer; porque o toque em si mesma, o se descobrir, para nós, é “sujo”, muitas vezes associado a nomes degradantes, à imagens negativas, etc. Dentro da sociedade onde estamos inseridas, não temos esse direito, não temos essa liberdade íntima; sob os olhos mais conservadores, não deveríamos ter acesso a esse tipo de diversão. Por conta disso, até para encontrar histórias que não nos coloquem em posições de submissão ou de completa humilhação é complicado; os “pornôs para mulheres” são quase inexistentes e os sites que dizem oferecê-lo relacionam o gênero à iluminação e ao sexo “menos selvagem”, o que dificulta a nossa experiência.

O gênero masculino também não deixa de ser uma vítima do mesmo problema. Ainda que a masturbação seja, para eles, indiscutivelmente mais aceita e um assunto que surge desde o início da transição da infância para a adolescência (muito diferente do que acontece com as mulheres, aliás, cujo tema ou demora a surgir, ou nunca surge), conversar sobre isso não parece ser uma prática comum. Falar sobre o que excita ou deixa de excitar, sobre curiosidades e dúvidas – eles, assim como nós, não parecem se sentir confortáveis para abordar esses temas. Entre os amigos, talvez eles surjam como piadas. Mas por que não falar sério?

Muito mais cerca o tema do que as piadas gastas sobre ficar tempo demais no banheiro. A masturbação é uma forma de autoconhecimento – descobrir, pelo menos em parte, o que funciona e o que deixa de funcionar; é saudável, comum; é parte de uma etapa onde as dúvidas estão aparencendo e o corpo humano é um mistério. E existem diversas formas de exercitar essa prática, um sem-número de estímulos e de aparelhos que auxiliam o prazer advindo dela. Debater, descobrir, compartilhar dicas – nós deveríamos fazer tudo isso com mais frequência.

Pensando nisso, a Pólen decidiu conversar um pouco mais com os nossos leitores, descobrir o que vocês pensam sobre o assunto. Vocês se masturbam? Desde quando? Como começaram? Usam alguma coisa para auxiliar? Assistem algum vídeo, leem alguma história? Ainda consideram o tema um tabu? Conversam sobre ele com a família e/ou os amigos? Era isso que a gente queria saber.

As nossas respostas estarão listadas aqui embaixo, juntamente com o gênero e a orientação sexuais que os nossos leitores disponibilizaram. Como foi tudo feito anonimamente, a nossa comparação entre experiências acabou ficando bem ampla, e portanto bastante interessante. Esperamos, dessa forma, ajudar tirar o estigma de  um tema que deveria ser tão comum. Divirtam-se!

 

1. Masculino/homossexual.
Eu curto me masturbar desde o momento que descobri que poderia sentir prazer com isso. No entanto, por reprimir e acreditar que a minha orientação sexual era errada, algumas vezes, sinto asco logo ao fim do gozo. Gosto de me masturbar, masturbar os meus parceiros. Mas, sinceramente, fico incomodado quando sinto asco ou algo do tipo em relação a isso. É prazeroso e não devia ser assim. Nunca conversei com amigos ou amigas, mas acredito que seria mais fácil para os homens que possuem pênis. A sociedade machista é mais libertária em relação. A coisa muda quando se coloca a religião no meio. Já que as religiões de origem cristã colocam a masturbação como pecado.

Eu gostaria de saber se é comum gays sentirem asco depois da masturbação ou até mesmo do sexo. (Acredito que fatores psicológicos interferem e muito nisso)

2. Feminino/Demipansexual.
O tema ainda é muito tabu mesmo com muita gente falando. Eu vejo vídeos sobre pessoas falando com naturalidade sobre e eu me sinto bem vendo e apoiando, mas na hora de falar sobre em conversar super rola o desconforto, porque ainda parece algo super errado, principalmente a masturbação feminina. Todo mundo fala sobre masturbação masculina seja em comédia ou coisa séria, mas tem algo que é mil vezes mais pecaminoso quando se trata de masturbação feminina. Tudo ainda sobre a sexualidade feminina é tabu e precisamos desmistificar isso, porque é algo normal e saudável. A masturbação é um modo de conhecermos o nosso corpo e sabermos mais sobre nós mesmos – o que é super importante. Com isso, eu consegui me conhecer e saber mais sobre o meu corpo que antes eu tinha medo de explorar, eu descobri a minha sexualidade, entender melhor sobre a minha orientação sexual e entender que isso era algo que todo mundo faz foi difícil porque todo mundo faz mas ninguém fala sobre.

3. Feminino/Heterossexual.
Foi algo fundamental para o conhecimento do meu corpo e do que eu gosto de fazer. Inclusive pelo autoerotismo e admiração pelo próprio corpo.

4. Feminino/Heterossexual.
Inegável que a masturbação ainda é um tabu para as mulheres principalmente. Eu, por exemplo, só conversei sobre isso, mas sem detalhes, com uma de minhas amigas. Acho ótimo me masturbar e não acredito que haja uma competição (ao menos pra mim) entre sexo e masturbação. Sexo é maravilhoso, sexo é compartilhar, é dividir para conquistar. Já a masturbação é incrível, é ser “egoísta” consigo próprio e te dar tudo do bom e do melhor. Eu só descobri o que era um orgasmo me masturbando, isso depois de dois namoros longos (de 6e 3 anos) sexualmente ativos. Eu não tinha noção de como era bom. Ter descoberto isso sozinha me deu uma segurança muito grande pras relações sexuais posteriores.

5. Feminino/Bissexual.
Eu acho que todo mundo deve conhecer o próprio corpo, ate mesmo pra ter uma vida sexual maneira. E a masturbação é um meio pra isso. Entretanto, é preciso ter cuidado porque a industria do pornô – onde muitas pessoas buscam imagens e videos pra se masturbar – faz como vítimas, além das atrizes, muitos adultos e CRIANÇAS que se tornam viciadas nessa prática.

6. Feminino/Heterossexual.
Eu me masturbo desde muito nova e sempre me achei suja e errada por isso, mas quando comecei a dividir minhas experiências percebi que é normal. É importante dizer que conhecer o feminismo mudou completamente o meu jeito de pensar e me fez ver isso como realmente é, ou seja, como algo natural. É frustrante saber que para o universo masculino não existe toda essa pressão, mas quando meninas admitem que também se masturbam, a bagunça está feita. Eu não vejo isso como um tabu, pelo menos não mais. Acho que esse é o primeiro passo pra podermos discutir sobre esse tema e sobre os efeitos bons e ruins que a masturbação pode causar.

7. Masculino/Heterossexual.
Uma boa forma de se divertir sozinho, saudável, traz benefícios e prazeres. Muitos estudos já desmistificaram o fato sobre masturbação ser um mal para a saúde. Então, relaxe e goze!

8. Feminino/Heterossexual.
Tabu principalmente entre mulheres, que lindo seria poder fazer piadas sujas que nem homens fazem….

9. Feminino/Heterossexual.
Comecei com um ex namorado, por telefone. Depois do término passei para os contos eróticos, depois para imagens e por fim para vídeos. Atualmente uso mais imagens, seguido de vídeos e contos. Gostaria de voltar a me masturbar mais com literatura que com estímulos visuais. É fácil de conversar sobre isso com amigos, pessoas da minha idade, do que com pessoas mais velhas como meus pais. Fica desconfortável quando o assunto aparece mesmo que na televisão e todos estejam assistindo. Ainda é um tabu, infelizmente.

10. Feminino/Bissexual.
Quando falamos de masturbação acho que temos que nos atrelar às diferenças de gênero sobre a prática. A masturbação masculina é amplamente aceita e praticamente estimulada. As primeiras piadas sobre “bater punheta” começam bem cedo para os meninos, muito deles até relatam que faziam antes mesmo de ter um orgasmo com ejaculação (devido à puberdade). Neste ponto, a prática de ver pornô também é aceita na roda social masculina. Para as mulheres, diferentemente, se masturbar passa por um processo de aceitação, aquilo não é falado claramente, muitas tem vergonha de admitir a prática e encaram como algo “nojento”. É fácil perceber as estruturas por trás. Quero acrescentar, ainda, que podemos falar como a masturbação e o prazer masculino são endeusados e vistos como um direito fundamental do homem quando a simples busca por esse prazer individual cria entraves para um debate honesto sobre a indústria pornográfica e a exploração das mulheres pela mesma. Vulgo “minha punheta, ninguém sai”.

11. Feminino/Homossexual.
Eu ‘aprendi’ a me masturbar com um namoradinho aos 13 anos. Antes disso, eu via pornô mas não sabia ao certo como me fazer chegar ao ponto, então só ficava naquela vontade. Depois que eu aprendi foi quase um vício. Pornô, pensamentos, alguma situação que me deixava excitada, tudo. Os anos foram passando e a masturbação continuava firme e forte. Em momentos de vida solteira, eu faltava subir as paredes e tudo ficava mais frequente e mais intenso. Algumas namoradas não ligavam de me penetrar e eu ‘ajudar’ me masturbando a chegar lá porque se não fosse assim, era quase impossível gozar. Hoje, aos 23 anos, namoro com uma garota faz 1 ano e meio e, finalmente, consigo gozar muito bem gozado a ponto de não sentir tanta necessidade de me tocar. Há tempos não assisto pornô. Mas confesso que tem dia que sinto falta rs mas ela ta sempre disposta a me ajudar com isso, fazendo um amorzinho muuuito gostoso.

12. Masculino/Homossexual.
Comecei com 12 anos. Foi uma surpresa, algo novo é claro. Não gosto de pornografia. Mas no inicio eu via sim, hoje não mais. Tenho meu namorado e odeio que ele veja também. As vezes ele acaba cedendo, mas também evita. Acho que masturbação é algo íntimo do ser humano, é saúde. Tudo tem limites, não adianta passar a crer que a masturbação é o caminho único para o prazer. Mas é muito válido sim. Essa proposta de proibir a masturbação é uma idiotice tremenda. Masturbação não necessariamente está ligada à pornografia. A pornografia sim, a minha vista, deveria ser erradicada… Mas o governo não tem proposta de reintegração também. Então o que é um simples problema se torna uma bola de neve.

13. Feminino/Bissexual.
Acho que a masturbação é um tabu maior entre as mulheres. Na escola, lá pra sexta série, meus amigos já falavam sobre masturbação, enquanto hoje, na faculdade, algumas amigas ainda tem muita vergonha de falar sobre, ou acham que é errado/nojento/feio se masturbarem. Tem muito a ver com o machismo na nossa sociedade, com certeza, e com o fato de o prazer da mulher ser sempre ligado ao homem. Isso vai pra segunda questão que são os estímulos externos da minha masturbação. Eu prefiro assistir vídeos pornôs lésbicos, pelo fato de dar mais atenção ao prazer feminino do que pornô hétero (que fica aquele cara metendo na mulher por horas, uns gemidos meio falsos…). Histórias eróticas são legais também, mas prefiro os vídeos. Masturbação tem que ser debatido sim! Chega de achar que as mulheres não sentem prazer, não gozam e não se dão prazer! +Siriricas -machismo

14. Masculino/Heterossexual.
Gosto de me masturbar vendo qualquer material pornográfico

15. Feminino/Assexual.
Tenho a impressão de que estou fazendo errado, sabe? Não é tão delicado – com uma mão deslizando até lá – quanto na TV, porém é prazeroso, então não sei se existe realmente algo errado.

16. Feminino/Heterossexual.
Comecei a praticar aos 14 anos, e prefiro assistir pornô, mas quando não dá vai sem mesmo. Evito a prática porque me faz sentir mal as vezes, sozinha demais. Mas em outros momentos é libertador e eu percebo a diferença no meu humor. Antes de namorar eu tinha dúvidas se era hétero ou bi, orque nós pornôs eu também via mulheres, mas com a experiência com namorado eu percebi que curto isso mesmo. Não acho que deva ser reprimido mas também não acho q tem que ser banalizado, porque nada em excesso faz bem, mas tudo depende do psicológico. Pra mim é o que funciona, mas luto pra que todo mundo pratique aquilo que lhe faz bem, se não incomodar outra pessoa. Acho que é basicamente isso.

17. Não especificado/Heterossexual.
Acho que é algo muito legal e que todos deveriam praticar frequentemente. Assim poderiam conhecer seu próprio corpo. Mas como tudo na vida, existe um limite entre o saudável e o que se torna um exagero. Sabendo moderar e fazer nos momentos certos é super benéfico

18. Feminino/Homossexual.
Não acho tabu e falo normalmente com amigas. Eu me sinto bem e me masturbo com uma frequência grande, no caso, algumas vezes na semana. Já me masturbei mais mas hoje em dia resolvi diminuir porque acho que isso tira o apetite sexual dependendo da pessoa com quem você tá. Tem vezes que faço só pra dormir mais relaxa, vezes que é só pra gozar, vezes que é porque não posso estar com quem quero e etc. Me masturbo geralmente com pornô mas ocasionalmente uso a imaginação (e aí fica bem melhor).

19. Feminino/Heterossexual.
É tabu apenas em relação as mulheres. Fui descobrindo meu corpo sozinha no início da adolescência, mas na época me sentia muito culpada, parecia errado. Gosto de literatura erótica, mas geralmente me masturbo com a minha imaginação mesmo. Já cheguei a conversar sobre o assunto com algumas amigas em grupos feministas, mas ainda não é um papo muito aberto. Eu tenho 25 anos e me masturbo quase todos os dias para relaxar, é um momento meu.

20. Feminino/Heterossexual.
Ainda é um tabu para mulheres. Algumas sequer conhecem a possibilidade de explorar seu corpo para obter prazer e vivem achando que precisam de homem para gozar. É um tema que nunca foi abordado entre minhas amigas, até mesmo entre as mais “liberais”. Até mesmo sexo anal é falado (ainda que superficialmente) e masturbação feminina não. A lembrança mais antiga que tenho é de me masturbar desde os 10 anos… A frequência era totalmente variável e embora tenha permanecido virgem até os 17 anos foi fundamental pra minha vida sexual. É clichê, mas ninguém melhor pra conhecer nosso corpo e nosso prazer do que nós mesmas.

21. Feminino/Heterossexual.
Acho uma pena ser um tabu para mulheres

22. Feminino/Bissexual.
Ainda é um tabu sim, principalmente para as mulheres. Para os homens, ainda se relaciona DEMAIS com a pornografia, o que é um problema, visto que muitos homens aparentemente só conseguem ter prazer assistindo pornô. Comecei a descobrir e praticar a masturbação depois de descobrir um tumblr, orgasmictipforgirls, que me ajudou bastante a encarar como algo normal. Isso eu já tinha uns 17 anos, antes disso eu não sabia que o que fazia era masturbação, mas também era muito raro. Mas apesar de encarar como algo natural, não costumo conversar sobre com amigos, mas também não conversamos muito sobre sexo em geral. Ultimamente tenho tentado não usar gifs do tumblr ou twitter, prefiro ler histórias ou só usar a imaginação mesmo.

23. Feminino/Heterossexual.
Eu sempre me senti mal porque me masturbo constantemente deis dos 12 anos. Quando eu era mais nova precisava fazer todo dia, quase tida hora. Eu sempre lia escondida revistas da minha mãe que falavam sobre o assunto, mas me sentia mal por que era quase uma compulsão. Também já na época eu sabia que todo mundo achava isso normal para meninos da minha idade, mas não para meninas e por isso me sentia um monstro. Continuei me masturbando com frequência durante a vida toda e quando mudaram a fórmula do meu anticoncepcional e eu fiquei quase sem libido, era a única forma que eu ainda tinha algum prazer. Hoje, depois de me livrar do remédio, e estar muito mais bem resolvida eu continuo com a prática. Mesmo tendo relações sexuais quase diárias com meu namorado eu ainda busco aquele momento meu. E todo o conhecimento que eu adquiri do meu corpo nestes 13 anos me masturbando, me ajudam muito a encontrar o prazer pleno em uma relação com outra pessoa. Espero que o post de vocês ajudem as garotas a saberem que ela também podem e devem buscar prazer sozinhas. Que é bom e saudável.

24. Feminino/Heterossexual.
O tema foi super tabu pra mim desde sempre, tanto que eu fui aprender o que era masturbação feminina meio que por acaso, quando eu já tinha os meus 16 anos. Na época eu ficava me sentindo super culpada por me masturbar, como se estivesse fazendo alguma coisa muito errada, e prometia para mim mesma que não faria isso novamente. Mas sabe como é, hormônios, a promessa nunca durava muito tempo. Depois que eu cresci um pouco, minha cabeça começou a se abrir um pouco e, posteriormente, comecei a ter relações sexuais de verdade, comecei a ver a masturbação como algo natural e saudável, ao invés de algo sujo e errado, mas até chegar nesse ponto, foram muitos conflitos internos.

25. Feminino/Bissexual.
Amo, pratico e recomendo. Não gosto da lógica de que é um bom treino para o sexo. Pode até ser, mas sexo pra mim é tão diferente, por envolver uma outra pessoa, que a masturbação parece ficar em outra categoria. É ótima sim para conhecer o próprio corpo, e isso ajuda a ter uma boa transa, mas fazer para você mesma já é um motivo válido o suficiente. No meu caso descobri mais pela “cabeça” que pelo corpo. Tipo, vejo relatos de meninas que descobriram no banho, ou encostando a vagina no braço do sofá e coisas do tipo – o estímulo físico que chamou a atenção. Pra mim, a primeira memória que tenho de acordar aquela região foi quando achei umas revistas Playboy na casa da família. E a primeira vez que ativamente coloquei a mão lá foi lendo O Doce Veneno do Escorpião. Então desde o começo a masturbação esteve ligada à pornografia/literatura erótica. Foi assim por muito tempo, dos 14 aos 20, mais ou menos, até que comecei a me incomodar com a necessidade de um ‘produto externo’ pra gozar. Especialmente, passei a me incomodar com o que era representado na pornografia e como já sentia que isso tinha moldado a minha mente, naturalizando a mulher na posição submissa e em cenários violentos. Passei então a me masturbar sem ver nada, só com estímulos no corpo, e achei bem difícil. Muitas vezes me cansava antes de gozar, o que só aumentava minha frustração. Achei que estava quebrada e, por causa da pornografia, só gostava da ideia de sexo violento, e, pior ainda, através de uma lente masculina e machista. Apesar de masturbação não ser um assunto proibido em casa, nem com as amigas, não falei desse dilema com ninguém. Então comprei um vibradorzinho de ponto G (que eu só uso no clitóris), e tudo melhorou. Consegui gozar sozinha e passei a explorar mais, posições diferentes, fantasias diferentes na cabeça, humores e tempo dedicado à atividade. Sério, comprem um vibrador. Hoje já descobri vários “tipos” de masturbação. Tem aquela rapidinha, às vezes pra aliviar o stress; tem a que começa no banho, passo um óleo e fico me massageando, coloco uma música, apago a luz e viajo (dá pra ser romântica com você mesma! é ótimo!!!); tem aquela de manhã, no meio das espreguiçadas; e tem aquela especial, para a qual eu me dedico, com o objetivo de ter AQUELE orgasmo. Aliás, falando em orgasmo, até hoje só o atingi sozinha. E olha que tive parceiros e parceiras com estilos e situações bem diferentes. Então, ao contrário do senso comum, pra mim masturbação é melhor que sexo! Isso não me incomoda tanto, mas estou na busca de melhorar a interação na cama e conseguir gozar junto com outra pessoa. Por fim, já comprovei empiricamente que masturbação pode ajudar na dor de cabeça e no mau humor 😉

26. Feminino/Heterossexual.
Masturbação é um tabu até mesmo entre amigas,sei que é algo natural, mas parece que só eu faço minhas amigas não falam muito sobre isso

27. Queer.
Eu não consigo mais atingir orgasmos durante o sexo, e eu acho que a culpa disso é excesso de masturbação e pornografia. Não tô aqui pra ser moralista nem nada assim, masturbar é super natural, mas o excesso de gozo e pornografia talvez tenha criado essa frustração em mim com relacionamentos físicos. Acabei me tornando uma pessoa muito visual, e como resultado tem isso: eu sinto prazer quando estou com outra pessoa, mas eu não tenho o orgasmo. É uma droga.

28. Feminino/Heterossexual.
2017 e o tema ainda é meio tabu, ainda mais para mulheres. Homem é estimulado a se tocar desde sempre, agora se uma moça fala que se masturba as pessoas reagem com nojo (!!!). Incentivo todas minhas amigas a se masturbarem porque ainda é a melhor forma de conhecer bem o seu corpo e descobrir a melhor forma de sentir prazer. Sozinha. E quando houver companhia fica mais fácil conduzir a transa e encontrar o momento certo para gozar. Ainda tenho um pouco de dificuldade de falar sobre isso com algumas amigas, que acham absurdo mesmo sabendo que é um negócio natural. Na prática tudo depende do momento. Já me masturbei só lembrando de coisas, assistindo uns pornôs ou olhando as boas e velhas nudes haha

29. Feminino/Bissexual.
Não é bem um tabu no meio no qual eu fui criada, mas não consigo fazer.

30. Feminino/Bissexual.
Eu falo mas não falo rs. O que é uma bosta né? Há umas duas semanas eu estava com muita, mas muita vontade de transar, com aquelas vontades que chegam a doer no corpo (não é uma dor, mas nossa, o corpo pede muito pelo sexo e você sente a que algo dentro de você pedindo). Bem, eu estou solteira no momento e sem nenhum contatinho e aí pensei “é isso aí, masturbação né? Sempre bom”. Esses dias, uma amiga falou que estava passando pela mesma situação de vontade louca de sexo. Contei essa história para ela. Nós não falamos explicitamente “bom, eu me mastubei, miga” ou “putz! Eu também me mastubei, amiga”, mas a ação estava lá implicitamente. E isso já aconteceu outras vezes e não duvido que vá acontecer outras mais. O engraçado é que, quando a situação envolve outras pessoas, falamos numa boa, explicitamente. Porém, quando somos nós que praticamos a ação, o tabu ainda é bem presente. Chato, né?

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Sobre Amanda Tracera

Apaixonada pelo Rio de Janeiro, pela Disney, por sotaques e por material de papelaria. Antiga aspirante à jornalista, atual estudante de Letras, sem nenhuma ideia do que fazer no futuro e com um número assustador de listas, fandoms e informações inúteis nas costas.