10 filmes girl power da minha infância


Texto: Lorena Pimentel

Antes de eu começar a fazer análise da (falta de) representação feminina em todos os filmes e séries que vejo, eu já fazia isso. Quer dizer, inconscientemente. A parte incrível de ter crescido no final dos anos 90 e início dos anos 2000 é que eu tive a oportunidade de ver, quando ainda era criança, filmes adolescentes e comédias românticas com protagonistas legais que eu queria ser. Essas garotas mostraram que eu não tinha que seguir estereótipos e, por isso, sou grata. Nenhum deles vai ser a representação perfeita ou um resumo do feminismo, mas todos tem um quê de girl power:

  • Todas contra John (2006)

O cara babaca da escola fica com três garotas ao mesmo tempo e se acha fodão (claro) por causa disso. Elas descobrem e, pra conseguirem se vingar, resolvem juntar forças e planejam a queda da reputação dele. A “garota invisível” da escola (pausa pra: é, Hollywood, muito realista a Brittany Snow ser a invisível da escola) avi fingir estar interessada nele para que as outras escancarem a babaquice. Ignorando o final ruim (em que o cara “nerd e estranho” tenta dar uma lição de moral nas meninas dizendo que elas são ruins por fazerem isso – spoiler: não são não), a ideia das meninas que são super diferentes se unirem pra mostrar o quanto o boy é lixo é ótima.

 

  • Meninas Malvadas (2004)

Chamar alguém de gordo não vai te deixar mais magro, chamar alguém de burro não vai te deixar mais inteligente. Mais uma vez, uma história de padrões e como nenhuma garota se encaixa perfeitamente neles. Nós podemos tentar, mas, no final das contas, as pessoas são diferentes e aceitar isso é importante. Uma mensagem que eu com certeza precisei ouvir aos onze anos.

  • Legalmente Loira (2001)

Seu namorado terminou com você dizendo que você é fútil e burra? A solução é entrar na faculdade de direito, ser (claro) muito melhor que ele e provar que interesses femininos e inteligência não são mutualmente exclusivos. Não, mas sério, eu adoro esse filme porque ele mostra como a sociedade patriarcal minimiza mulheres “femininas demais” e como isso é puro machismo.

  • Ela é o cara (2006)

Em contraste, temos aqui uma garota com interesses “masculinos” e que é impedida pela família de seguir sua paixão pelo futebol. Violet precisa fingir ser o irmão para poder jogar e vive uma vida dupla enquanto a mãe a força a participar de um baile de debutantes. Mais amor, menos papéis de gênero.

  • Mulan (1998)

Antes da Tiana, da Merida e da Elsa existirem, uma princesa literalmente salvou seu país. Toda vez que penso em Mulan penso em como esse filme foi importante pra tantas outras meninas. É legal que nossa protagonista seja uma heroína forte e sensata.

  • Matilda (1996)

Uma garota que se sente sozinha e não apreciada recorre aos livros pela companhia das histórias? Antes de eu conhecer a Hermione Granger, era na Matilda que me enxergava. Ela não tem vergonha de mostrar sua inteligência, nem quando sua família e a escola tentam impedí-la. E ah,tem poderes telecinéticos muito legais.

  • Os incríveis (2004)

Ok, mais uma animação pra esse lista. A Violet é minha personagem favorita da Pixar porque a jornada dela é, na minha opinião, a mais importante do filme. Nós temos uma garota que não se sente confortável consigo mesma (não é à toa que o superpoder dela é a invisibilidade, né?) e, durante a história, vemos ela ganhar mais autoconfiança. Empoderamento desde novinha <3

  • Miss Simpatia (2000)

Não sei o que é melhor nesse filme (que sim, é meio problemático em outros aspectos): o fato dele mostrar como mulheres são desvalorizadas em campos de trabalho “masculinos” ou a temática de que as mulheres podem ser amigas. A história de Gracie Hart, que se disfarça de miss para seu trabalho do FBI é ótima e girl power.

  • Clueless (1995)

Não é de surpreender que uma adaptação de Emma seja feminista, mas a modernização de Clueless é uma maravilha pra história. Cher Horowitz não liga pros haters, pra garotos pegajosos nem pra quem acha que ela é burra. As if! 

  • As Panteras (2000)

Minas salvando o dia e sendo badass? Por favor. Aliás, história engraçada: a sequência desse filme, As Panteras Detonando, foi a primeira vez que entrei em uma sala de cinema escondido. Eu e uma amiga burlamos a classificação indicativa. É super anos 2000, mas também tem mulheres em papéis geralmente masculinos (espiões, detetives, guerreiros, etc) e tem toda a questão de poder da amizade entre garotas.

P.S.: menção honrosa fica para 10 coisas que odeio em você. Eu assumidamente não gosto desse filme, mas, ao perguntar pras amigas qual foi a história que as influenciou no sentido girl power, esse foi quase unânime.

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Sobre Lorena Pimentel

Paulistana que preferia ter mar, entusiasta do entusiasmo, Grifinória com medo de cachorros, defensora de orelhas pra marcar livros, não gosta de açúcar, colecionadora de instagrams com fotos de bebês, oversharer no twitter (@buzzedwhispers) e uma eterna vontade de ter nascido Rory Gilmore.