10 autoras para ler antes de crescer


Texto: Marília Barros

Manolito e seu avô Nicolau (ilustração de Xamblu, também conhecida como minha irmã)

Eu gosto tanto de literatura infantojuvenil que não conseguia decidir sobre o que escrever para essa edição. Tenho carinho por muitos livros, mas ao mesmo tempo a maioria deles não está tão fresca na minha mente – eu teria que reler outra vez para escrever mais profundamente sobre eles. Por isso, optei por fazer uma lista com tons saudosos. Escolhi falar só de mulheres não só porque sempre é bom divulgar mais mulheres, mas também porque são a maioria das minhas favoritas mesmo. A lista segue os seguintes critérios: primeiro, o meu gosto, obviamente; também dei preferência para escritoras de quem li mais livros, e por último, tentei dar uma diversificada nos estilos literários delas e nas nacionalidades, mas não deu muito certo e, com a exceção de uma, todas são ocidentais e brancas (inclusive aceito dicas de autoras africanas, indígenas, latinas e asiáticas!).

1. Angela Sommer-Bodenburg

A alemã Angela Sommer-Bodenburg escreveu a série do Pequeno Vampiro, que tem dezenas de livros, que minha mãe sempre alugava para mim na biblioteca, e também os livros do Chocolóvski, o cachorro mais glutão que já conheci. Eu passei muitos momentos agradáveis voando por aí com o Rüdiger e compartilhando o medo da tia Doroteia com o Anton. São livros curtos, de cento e poucas páginas, e são uma leitura rápida e divertida.

2. Cornelia Funke

Também alemã, Cornelia Funke é autora de livros como Coração de tinta, O senhor dos ladrões e O cavaleiro do dragão. Eu amo como a autora escreve fantasia e como dá para entrar no universo criado por ela. Para uma leitora ávida como eu era, a declaração de amor aos livros que é “Coração de tinta” criou uma identificação instantânea comigo, e o livro vai ficar para sempre no meu coração.

3. Diana Wynne Jones

Diana Wynne Jones

Eu gosto tanto de O castelo animado que ainda não li A casa de muitos caminhos, o terceiro da série, porque estou adiando o fim da série. A Diana Wynne Jones é incrível e mesmo que eu conheça pouco da obra dela, eu a considero uma das minhas autoras favoritas.

4. Elvira Lindo

Uma frustração da minha vida é que pouca gente conhece e gosta dos livros do Manolito. O garoto que vive em Carabanchel (Alto), em Madri, é daqueles que vive se metendo em confusão e conta as histórias mais engraçadas, além de ter um jeitinho delicioso de narrar as coisas. Os livros são o cotidiano de um garoto, mas nem por isso não divertem – é um estilo parecido com as histórias do Pequeno Nicolau e, talvez, de Diário de um banana (não posso confirmar porque nunca li). São cinco livros traduzidos para o português, e vocês não imaginam minha emoção quando descobri que a série tem mais livros – que não li ainda porque não sei se tenho espanhol suficiente para isso e porque também gosto de saber que tem mais do Manolito para ser descoberto.

5. Eva Ibbotson

Eva Ibbotson

Tinha uma época em que eu acompanhava religiosamente os lançamentos da Eva Ibbotson no Brasil. Toda vez que ia à livraria tinha um livro novo dela me esperando. São livros com criaturas mágicas como bruxas e fantasmas, como Puxa, qual bruxa? e Disque fantasma (provavelmente os meus favoritos dela). Além disso, ela escreveu também livros históricos, como “Jornada pelo Rio Mar”, que se passa na Amazônia(!), no início do século 20.

6. Kate DiCamillo

Kate DiCamillo

Eu li A história de Despereaux e O elefante do mágico dela. Suas histórias são encantadoras e é a única autora da lista que li mais velha, supostamente fora da “idade ideal”, mas que nem por isso deixou de me agradar.

7. Katherine Paterson

Katherine Paterson

Ponte para Terabítia, assim como outros livros da lista, é prova de que livro infantojuvenil pode ser triste sim e pode ter temas pesados. Se a criança não lidar com isso na literatura, de qualquer jeito ela vai lidar com isso na vida algum dia, então por que evitar? Além do seu maior sucesso, ela escreveu vários livros, sendo que alguns foram traduzidos para o português, como O mestre das marionetes e O coração de sílex.

8. Kazumi Yumoto

Kazumi Yumoto

A japonesa tem dois livros publicados no Brasil, O outono do álamo e Os amigos. Os dois são histórias delicadas e belas sobre amizades e também sobre morte. Mas, na verdade, o que mais me marcou em Os amigos é que eu peguei o livro na biblioteca e veio sem algumas páginas, que nunca tive a oportunidade de ler. Se não me engano, os dois livros estão esgotados no momento, mas são leituras que valem a pena, e além disso também mostram um pouco da cultura japonesa para o leitor.

9. Megan McDonald

Megan McDonald

Os livros da Judy Moody eram tendência na minha escola. Um dia, várias meninas apareceram com seus exemplares na sala de aula, então eu tive que conferir também. A Judy Moody tem momentos de mau humor, mas sempre consegue resolver as coisas de um jeito ou de outro. Eu só tenho o primeiro volume em casa, que foi lido à exaustão, mas li os três seguintes da série, sempre seguindo Judy, seu melhor amigo Rocky e o irmão Chiclete – que até ganhou livro próprio depois.

10. Sharon Creech

Sharon-Creech

Eu amei tanto Andar duas luas e fico tão triste que o livro seja pouquíssimo conhecido aqui. Nos Estados Unidos, é aquele tipo de leitura escolar obrigatória, então muita gente torce o nariz, mas é um livro tão bonito e melancólico! Além dele, li Love that dog dela, que aqui foi traduzido como Meninos não escrevem poesia, um livro simpático sobre um menino tendo que escrever poemas na escola.

Menções honrosas: Adriana Falcão, com a lindeza que é Luna Clara & Apolo Onze; Astrid Lindgren e a espevitada Píppi Meialonga; Barbara Park e as desventuras de Junie B. Jones; Celia Rees e suas ficções históricas; Frances Hodgson Burnett, a clássica; Georgia Byng, com a hipnotizante Molly Moon; Índigo e sua Saga animal; J. K. Rowling, que só ficou de fora da lista principal porque ela nem precisa estar na lista; Paula Danziger e os dilemas de Clara Rosa; Shannon Hale e as releituras de contos de fadas, e Wendelin Van Draanen e o amorzinho Flipped (que infelizmente não foi traduzido para o português).

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Sobre Marília Barros

Marília é paulistana e estuda Letras. Gosta de bibliotecas, de animações e de coelhos. Não é a preguiça da foto, mas bem que gostaria de ser.